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A SAGA DE MOISÉS POR LUCIANO DUDU

EU RECOMENDO - EXPURGO DE FLÁVIA NEVES

terça-feira, 29 de março de 2011

Os Egípcios


Capítulo 1/6
Escrito por Júlio Gralha
 


Obcecada pela vida eterna e pela perpetuação da alma, a religião egípcia fascina por seu caráter místico. As pirâmides são o testemunho mais perene dessa busca pela eternidade.
O Livro dos mortos abre as portas para a transcendência. E o culto dos faraós, materialização do divino, revela o respeitodos egípcios pela autoridade. Em tudo, as forças da natureza mostravam-se soberanas, personificadas como divindades, a começar pelo Sol, símbolo da vida. E ainda havia o Nilo na Terra...
Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google
 
Amigo leitor, estamos trazendo a partir de hoje uma série de postagens sobre o Egito , convido-o para  continuar a leitura  nas próximas postagens sobre a religião e a mitologica egípica.
Boa leitura e reflexão
Luciano Dudu


A religião dos Egípicos


Capítulo : 2/6
Escrito por : Júlio Gralha



 Onde encontrar a religião dos egípcios?


Os egípcios e sua religião têm exercido grande fascínio sobre o mundo ocidental, desde há muitos séculos. Há mais de dois mil anos, Heródoto já se espantava com eles e justificava o alto nível de desenvolvimento da civilização egípcia como conseqüência inevitável do rio Nilo.
Napoleão se derretia pelo Egito e todas as nações desenvolvidas do Ocidente trataram de criar uma seção de múmias e esculturas egípcias em seus museus.
Mesmo hoje em dia um bom observador pode notar a freqüência com que pirâmides e obeliscos são reproduzidos em cidades do mundo inteiro, inclusive nas brasileiras.
O Egito atual é fruto de rupturas tão significativas a ponto de tornar-se irreconhecível para quem quer encontrar lá a antiga civilização.
Embora com o mesmo nome, ela não existe mais, como não existem a Pérsia ou a Grécia, antigas. Mas todas elas continuam existindo, como representações idealizadas de um passado idealizado.
Os indícios dos primeiros cultos e templos, que não eram ainda em pedra, datam do quarto milênio antes da chamada era comum (ou, antes de Cristo) e tornaram-se, no segundo milênio, bem organizados. Todos os segmentos sociais praticavam a religião.
A partir da expansão faraônica durante o Novo Império (1.550 – 1.070 a.C.), a religiosidade egípcia tornou-se mais presente em outras regiões. O período ptolomaico (332 - 30 a.C.) e a ocupação romana (30 - 395 d.C.) são ricos, em função do culto à deusa Ísis e ao deus Serápis.


                                                            Deus Serápis




O culto ao deus Serápis — um misto de Zeus, Osíris e o Touro Ápis , profetizado em um sonho de Ptolomeu I, esteve presente no Mediterrâneo e na antiga York (Inglaterra).
Serápis pareceu ser uma tentativa de relacionar egípcios e gregos no início do governo ptolomaico. Ísis já estava bem presente fora do Egito desde o século IV a.C. Seu culto se popularizou de tal forma que indícios foram encontrados em Delos, Rhodes, Turquia, Lesbos, Chipre, Atenas, Pompéia, Roma, Londres, entre tantos outros lugares.
As fontes arqueológicas e históricas disponíveis são fragmentadas e a descrição egípcia da religião deixa os estudiosos em dúvida quanto ao sentido de certas práticas.

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

Concepções Religiosas e Mitologicas Egípcias



Capítulo : 3/6
Escrito por : Júlio Gralha

                                                         O Deus Horus


Os egípcios pensavam o mundo a partir da sua experiência: viviam em um deserto, fertilizado pelas águas de um rio, o Nilo, que não recebia afluentes ou água de chuva.
As cheias, que hoje sabemos, serem o resultado de chuvas na África tropical, eram para eles misteriosas.
O céu sempre azul era dominado pelo Sol, que nascia e morria a cada dia, sem que as pessoas soubessem que isso era devido apenas ao movimento de rotação da Terra.
Interpretavam o mundo como resultado de forças superiores. Os outros mistérios também eram associados a divindades, mas não havia dúvida de que acima de todas estava o Sol.
Assim também ocorria na sociedade egípcia, pois o faraó reinava soberano, também divinizado. Não por acaso, o mito da criação veio da Cidade do Sol, Heliópolis.
Estátua do deus Hórus tendo o monarca aos seus pés, no Templo de Edfu O mito da criação em Heliópolis. O mito era uma forma de explicação para processos naturais que estavam sem resposta no pensamento egípcio, tais como a criação do mundo, da raça humana e o pós-morte.
Os mitos também passavam um tipo de moral, concepção de ordem e caos, e valores éticos que deveriam ser seguidos e ensinados às próximas gerações.

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

Os Nove Deuses Egípcios


Capítulo 4/6
Escrito por : Júlio Gralha


Os mitos representavam necessidades e anseios dos homens e mulheres dessa sociedade. Um dos mitos mais importantes e antigos relativo à criação é o da cidade de Heliópolis, cujo nome em egípcio antigo é Wn, Annu ou Iunnu.
Durante o Antigo Império (2.575 - 2.134 a.C.) tornou-se o principal centro religioso e sede do culto solar, sobretudo da 4ª. à 6ª. dinastias, época da construção das pirâmides de Queóps, Quefren, Miquerinos, Unas, Pepi e Teti.
O prestígio do culto solar foi tal que um dos cinco títulos básicos do faraó, de "Filho de Ra" (sa-Ra), pode ter surgido nesse período.
Referências a esse mito podem ser encontradas nos Textos das Pirâmides no papiro Bremner- Rhind e no livro da Vaca celeste. Estes dois últimos talvez sejam a melhor maneira de conhecê-lo, apesar da forma truncada da narrativa. De um modo geral, podemos contar o mito da seguinte maneira:
No princípio era o Nu (Num), o oceano celestial com sua característica de imobilidade e totalmente estático - a visão do caos na concepção egípcia.

Deus Atum

Do seu interior emergiu o deus Atum auto-gerado (não confundir com Aton, que surgiria na 18ª. dinastia e representa o disco solar). Uma vez emerso do Num, a primeira porção de terra também emergiu para acolher o deus.  Tal porção de terra era identificada por uma forma piramidal, freqüentemente associada a um obelisco.
Segundo George Hart, no livro Mitos egípcios, "este outeiro primitivo tornou-se formalizado como benben (bnbn), uma elevação piramidal firme para sustentar o deus Sol; as relíquias reais de pedra, talvez consideradas como o sêmen petrificado de Atum, eram citadas como sobrevivente no ewet-benben (hwt-bnbn), a Mansão do benben", ou a Mansão da pedra benben.
O benben pode ser interpretado como o raio de Sol petrificado e não necessariamente o sêmen. Uma vez sustentado, o deus Atum inicia o processo de criação dos deuses, por atos oriundos da fala ou da boca. (Em outras variantes, essa criação foi produzida pela masturbação do deus. Há uma outra, ainda, que relata a união do deus Atum com sua sombra (kaibit). Uma vez auto-gerado, o deus Atum expeliu o deus Shu e cuspiu a deusa Tefnut, estabelecendo a primeira tríade.
O Deus Atum e Shu


Shu representava o ar, a atmosfera entre outros atributos (esse deus pode aparecer com o atributo da luz solar segundo outros textos).


Tefhut representava a umidade do céu. A partir desse ponto, o casal Shu-Tefnut continuou a criação gerando o casal Geb (terra) e Nut (céu).
Atum não tomou mais parte na criação, a não ser para gerar, de suas lágrimas, a raça humana. O deus Geb possuía um caráter masculino, ao contrário de muitas sociedades antigas que estabelecem uma relação feminina com a terra — "a mãe terra".

A deusa Nut, por outro lado, representava o céu no qual estrelas, planetas e outros deuses estão presentes.
A barca de Ra navegava 12 horas por dia no seu corpo e tal jornada tinha início no seu ventre, situado no leste, e terminava aparentemente na sua boca, no crepúsculo no oeste.
Em seguida, uma nova fase foi levada a efeito com a geração dos quatro filhos do casal Geb e Nut: Isis


Osíris e Isis





Osíris, que se tornaria rei do mundo inferior,
Ísis, a senhora do trono;
Seth, representando forças caóticas da natureza,
Néfits, a senhora do castelo.


Um aspecto importante nessa fase da criação é o papel de Osíris e Seth, que representavam uma certa dualidade de princípios na forma masculina. Assim, temos a terra fértil e estéril, o vale do Nilo e o deserto, luz e trevas, ordem e caos, Osíris e Seth.
Ísis representa o aspecto materno, a grande maga e consorte de Osíris. Ela é a senhora do trono (trono de Osíris ou do Egito). Néftis é a senhora do castelo ou mansão — Nebt-het. Esse castelo pode ser entendido como um lugar no firmamento e a casa de Hórus.
Assim, os deuses Atum (ou Ra, o deus Sol), Shu, Tefnut, Geb, Nut, Osíris, Ísis, Seth e Néftis formaram a enéada de Heliópolis. Ou seja, os nove deuses da criação.
Aos deuses é agregado Hórus ou Heru, que representava o faraó ou a própria raça humana.




Horus
Horus e Set

Com o Hórus vivo deixado na terra depois da partida de Atum-Ra para o firmamento e Osíris reinando no mundo inferior, o processo da criação estava estabelecido.
A criação da natureza ocorreu em algum ponto das quatro fases da criação. Assim, a espécie humana — criada a partir das lágrimas de Atum-Ra — passou por um processo diferente do mundo natural.

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

O Mito de Osíris


Capitulo 5/6
Escrito por : Júlio Gralha

Osiris no templo


Osíris era o deus que, com sua irmã-esposa Ísis, remava sobre
o Egito.
Ele havia ensinado aos homens a agricultura e a metalurgia e era amado por seus súditos. Seu enciumado irmão Seth (o deus do mau vento do deserto) o matou, colocou seu corpo num cofre e jogou no Nilo.

Ísis

Ísis procurou o cadáver do marido e o encontrou em Biblos. Ela o trouxe de volta e o escondeu em um pântano.
Seth o descobriu, cortou o em 14 pedaços e os espalhou pelo Egito. Ísis novamente foi atrás do marido, recuperou os pedaços em decomposição, com exceção do falo, e, com eles, fez uma múmia. Com a ajuda de outros deuses mais seus poderes mágicos, Ísis devolveu a vida ao marido e reconstituiu seu membro perdido.
Horus

O casal gerou Hórus, que foi criado pela mãe e protegido do ambicioso Seth até chegar o momento de assumir o trono.
Osíris não recuperou seu reinado terrestre, mas passou a reinar sobre os mortos.  Hórus, mais tarde, tornou-se o rei do Egito. 
Os faraós o sucederam.
Isis e Osíris

 Se o mito de Heliópolis pretende dar conta das questões relativas à origem dos deuses, do mundo natural e da espécie humana,o mito de Osíris parece demonstrar formas de conduta da sociedade egípcia, tais como o papel de um rei justo que é enganado pelo irmão invejoso (Seth); o assassinato do rei bom pelo irmão mau; o papel de Ísis como mulher, esposa, dedicada e leal, que procura o corpo do marido e não descansa enquanto não o encontra; o poder de magia também de Ísis e a possibilidade de ressurreição com Thot e Anúbis, que revivem Osíris e reconstituem seu falo, permitindo, assim, que Ísis gere um herdeiro (o filho Hórus).
De fato, se analisarmos o mito como um todo poderemos perceber que ele trata muito mais da saga da deusa Ísis do que de Osíris.

O mito tem grande importância também por estar associado ao rito funerário e à mumificação, uma vez que Osíris torna-se senhor do mundo inferior e "ressuscita" nesse local depois de mumificado. Desse modo, todo aquele que morre, passando pelo rito funerário e pelo processo da mumificação, é considerado um Osíris.



A deusa Isis

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

Religiões e Cultos Egípcios



Capítulo 6/6
Escrito por Júlio Gralha
 
 

Havia três modos de cultos no Egito antigo:
1)- Oficial,
2)- Popular
3)- Funerário.


O culto oficial era realizado pelo faraó e pelo corpo de sacerdotes nos grandes templos e em diversas regiões do Egito. Era endereçado aos deuses do panteão egípcio. Os deuses locais tinham uma importância maior no culto.
Dessa forma, na cidade de Mênfis, a tríade constituída pelo deus Ptah (deus dos artesãos, mas considerado criador nessa cidade), pela deusa Sekhmet (deusa solar de grande poder e responsável pelas doenças e pela cura) e pelo "filho"Nefertum deveria ter uma atenção maior.


 Já em Tebas, o deus Amon-Ra — visto aqui como um deus criador —, sua
consorte, a deusa Mut (a mãe), e Khonsu, um deus de característica lunar, ganhariam mais destaque. Mas apenas poucas cidades tinham tríades divinas como essas.
O culto era realizado diariamente por um grupo de sacerdotes que possuía funções específicas no decorrer da cerimônia, como preparar as oferendas, em boa parte alimentos, e o cuidado com os materiais ritualísticos, por exemplo, o que denota uma hierarquia no segmento sacerdotal.
Nessa prática religiosa, o templo era o principal local e poderia servir tanto para o culto aos deuses quanto para o culto ao faraó (nos templos em memória do faraó falecido).
O local tinha um tempo sagrado e tornava-se um espaço santo quando utilizado em rituais e festivais: representava o lugar e o momento em que os homens e os deuses uniam-se.
Assim, aparecia de forma transparente num processo de
comunicação, no qual seria afirmada a presença da divindade
e a renovação dos compromissos entre divindade e homens e
vice-versa.
Desse modo, o monarca se tornaria representante e mediador da humanidade, reafirmando a vitória da existência sobre a não-existência (caos) e afastando tal inexistência para além das fronteiras do Egito. 
Por conseguinte, o espaço sagrado do templo poderia ser justificado através dos mitos cosmogônicos.
O culto popular é mais difícil de ser identificado, já que esse segmento não deixou artefatos que perdurassem como os da realeza e da nobreza egípcia. De todo modo, podemos inferir que o culto era realizado no lar (toda casa tinha um nicho para a divindade) e em capelas nas cidades e pequenas
localidades. 
Em alguns casos, como no culto ao faraó Amenhetep I, a projeção foi tal que um pequeno corpo sacerdotal foi constituído.
O culto oficial e o popular se encontravam nos grandes festivais e procissões que aconteciam ao longo do ano egípcio. 
Nos festivais de caráter oficial, a barca que continha os deuses e possivelmente o faraó saía em procissão pelo Nilo.
 Em outros, uma divindade de um templo visitava outra.
É o caso de Hathor de Dendera e Hórus de Edfu. Nessas festividades, a população tinha acesso à parte do cerimonial e aos mitos através de algum tipo de encenação, pois a esmagadora maioria não sabia ler.
As práticas funerárias, que de um modo geral tinham a função de preparar a pessoa para a outra vida.


A barca da Morte


Quanto mais abastado fosse o egípcio mais complexo seria seu funeral. Aquele desprovido de recursos infelizmente não deixou vestígios claros e não temos como saber ao certo que tipo de rito era praticado no sepultamento. Todavia, por mais pobre que fosse, é provável que um simples culto e funeral se realizasse para que ele pudesse também chegar ao reino de
Osíris.
De um modo geral, o ato funerário envolvia o processo de mumificação, a tumba, o enxoval funerário e ritos como o da abertura da boca.
Dessa forma, passando pelo julgamento, o morto, agora justo de fala e ações (maak-kheru), seria suprido das coisas boas desta vida na vida após a morte. Estaria com os deuses, poderia visitar sua tumba e receber a energia vital (Ka) das oferendas.
 
Fúneral egípicio Anubis

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

segunda-feira, 14 de março de 2011

O FILÓSOFO SÊNECA




Lúcio Aneu Sêneca , Corduba, 4 a.C. — Roma, 65 d.C.) foi um dos mais célebres escritores e intelectuais Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista.

Oriundo de família ilustre, era o segundo filho de Hélvia e de Marco Aneu Sêneca (Séneca, o Velho). O pai era um orador eloquente e muito abastado. O irmão mais velho de Lúcio chamava-se Gálio e era procônsul Aquéia, onde em 53 d.C. se encontrou com o apóstolo Paulo. Séneca, o Jovem, foi tio do poeta Lucano.

Ainda criança (tres anos), foi enviado a Roma para estudar oratória e filosofia. Com a saúde abalada pelo rigor dos estudos, passou uma temporada no Egito para se recuperar e regressou a Roma por volta do ano 31 da era cristã. Nessa ocasião, iniciou carreira como orador e advogado e logo chegou ao Senado.

Em 41 envolveu-se num processo por causa de uma ligação com Júlia Livila, sobrinha do imperador Cláudio, que o desterrou.

No exílio, Séneca dedicou-se aos estudos e redigiu vários de seus principais tratados filosóficos, entre os três intitulados Consolationes ("Consolos"), em que expõe os ideais estóicos clássicos de renúncia aos bens materiais e busca da tranqüilidade da alma mediante o conhecimento e a contemplação.
Por influência de Agripina a jovem, sobrinha do imperador e uma das mulheres com quem este se casou, Sêneca retornou a Roma em 49.

Agripina tornou-o preceptor de seu filho, o jovem Nero, e elevou-o a pretor em 50. 
Seneca contraiu matrimônio com Pompéia Paulina e organizou um poderoso grupo de amigos.
Logo após a morte de Cláudio, ocorrida em 54, o escritor vingou-se com um escrito que foi considerado obra-prima das sátiras romanas, Apocolocyntosis divi Claudii ("Transformação em abóbora do divino Cláudio").

Nessa obra, Séneca critica o autoritarismo do imperador e narra como ele é recusado pelos deuses.

Quando Nero aos dezessete anos tornou-se imperador, Sêneca continuou a seu lado, não mais como pedagogo, converteu-se em seu principal conselheiro ajudado por Afrânio Burro, prefeito do Pretório.

Procurou orientá-lo para uma política justa e humanitária. Se durante os primeiros sete anos, o governo de Nero lembra o de Augusto, o mérito exclusivo é desses dois homens que na realidade governaram ao lado do jovem príncipe.
A índole de Nero foi mitigada, corrigida, freada; mais tarde a malvadez teve o predomínio.

Séneca durante algum tempo, exerceu influência benéfica sobre o jovem, mas aos poucos foi forçado a adotar atitudes de complacência.
Chegou mesmo a redigir uma carta ao Senado na qual se alega que tentava justificar a execução de Agripina em 59.

Séneca sabia que a maior culpa foi da própria Agripina, que pretendia imperar e se tornara hostil por ambição, capricho, corrupção; sua raiva crescente só fez aumentar a louca vingança matricida de Nero que não dá mais ouvidos às palavras severas de seus dois conselheiros.
 
Séneca foi então muito criticado pela fraca oposição à tirania e à acumulação de riquezas, incompatíveis com as concepções estóicas.
Conforme concluiu o emérito professor Giulio Davide Leoni, o destino foi em parte malvado para com Sêneca, fez chegar até nós acusações e perderam-se as defesas.
Da leitura atenta de suas páginas, do modo como aceitou e caminhou para a morte, como Sócrates, faz surgir um juízo sincero que as reticências dos historiadores e estudiosos, muitas vezes, acabam por ofuscar.

Em “De Beneficiis” ( II,18) Séneca lembra que: “Às vezes , mesmo contra a nossa vontade devemos aceitar um benefício: quando é dado por um tirano cruel e iracundo, que reputaria injuria que tu desdenhasses seu presente. 
Não deverei aceitar?” Assim, mais importante do que saber que Séneca era rico, é saber se ele era hávido de riquezas, se viveu no fausto e na opulência.
Conforme suas “ Epistula e Morales ad Lucilium, 18 , seu pensamento era este: é lícito ser rico, contudo é preciso viver de tal modo que se possa em cada contingencia bastar a si próprio e renunciar a qualquer bem que a sorte pode dar, mas também tirar.
Rico, Séneca viveu com um certo conforto, mas conforme acreditava e pregava, sempre de maneira modesta.
Tem razão o professor G.D. Leoni, da "Sedes Sapientiae", quando afirma no seu estudo introdutivo ao volume XLIV da Biblioteca Clássica da Atena Editora, São Paulo,1957, que, sem dúvida, a posteridade foi injusta, recolhendo contra esse homem somente as invejosas acusações dos seus inimigos. 
 
Mas a perfeita intuição dos poetas define aquilo que os críticos se esforçam por esclarecer mas amiúde ofuscam. Dante, no limbo, vê entre os sumos escritores e heróis antigos --- Sócrates, Platão,Demócrito, Diógenes, Anaxágora, Tales, Empédocles, Heráclito, Zenão, Dioscórides, Orfeu, Cícero, Lino e " Séneca morale".

Séneca diferente de um filósofo é um entusiasta da filosofia, estudioso apaixonado, informado de todas as correntes filosóficas do seu tempo, mas contrário a encerrar-se em qualquer sistema ou fórmula. Nele a filosofia era viva, era a própria vida.
 
"A prosa adere ao pensamento, uniformiza-se adapta-se a ele; e muitas vezes um subentendido produz um jogo de luzes e sombras cheios de profunda beleza, amiúde a frase breve produz inesperadas imagens pictóricas,outras vezes antíteses, ou as anedotas enriquecem as sentenças austeras, a argúcia atenua a trágica solenidade do assunto".

Poeta, humanista, mais que filósofo, o elemento preponderante em suas obras são os sentimentos, mais do que as idéias, com as quais, na origem, pouco contribuiu. Entretanto, na história do pensamento, nunca, ninguém foi tão compenetrado do sentimento da nobreza do espírito humano, e soube tão bem e poderosamente transmitir esse sentimento em palavras.
 
" Sua prosa é vivaz, variada, alegre, moderna, eterna; como quando procura mostrar como as desventuras pelas quais passam os bons, devem ser encaradas como provas para melhor evidenciar suas virtudes, ajudar o próximo: " Os deuses põem à prova a virtude e exercitam a força de espírito dos bons, que devem seguir seu destino preestabelecido: o sábio por isso nunca será infeliz."

Séneca retirou-se da vida pública em 62. Entre seus últimos textos estão a compilação científica Naturales quaestiones ("Problemas naturais"), os tratados De tranquillitate animi (Sobre a tranqüilidade da alma), De vita beata (Sobre a vida beata) e, talvez sua obra mais profunda, as Epistolae morales dirigidas a Lucílio, em que reúne conselhos estóicos e elementos epicuristas na pregação de uma fraternidade universal mais tarde considerada próxima ao cristianismo. 
 

No ano 65 d.C., Séneca foi acusado de ter participado na conspiração de Pisão, na qual o assassínio de Nero teria sido planejado.
Sem qualquer julgamento, foi obrigado a cometer o suicídio. Na presença dos seus amigos cortou os pulsos, com o ânimo sereno que defendia em sua filosofia.

Tácito relatou a morte de Séneca e da mulher, que também cortou os pulsos. Nero, com medo da repercussão negativa dessa dupla morte, mandou que médicos a tratassem, e ela sobreviveu ao marido alguns anos .

Apesar de ter sido contemporâneo de Cristo, Séneca não fez quaisquer relatos significativos de fenómenos milagrosos que aparentemente anunciavam o despoletar de uma poderosa nova religião; entretanto, há indícios de uma possível troca de correspondências com Paulo de Tarso (apóstolo, com cidadania romana, também conhecido por Saulo).

Constata-se que os cristãos, por intermédio de Lúcio Aneu Sêneca, assimilaram os princípios estóicos, utilizando inclusive as mesmas metáforas estóicas na Bíblia.

Um facto tanto mais curioso quanto a Séneca, como filósofo, ter-se-á interessado por todos os fenómenos da natureza, resultando nas cartas intituladas posteriormente Questões da natureza, como observou Edward Gibbon, historiador representativo do Iluminismo doséculo XVIII, perito na história do Império Romano e autor do aclamado livro História do Declínio e Queda do Império Romano, uma referência ainda hoje.

Séneca ocupava-se da forma correcta de viver a vida, ou seja, da ética, fisica e da lógica. Via o sereno estoicismo como a maior virtude, o que lhe permitiu praticar a imperturbabilidade da alma, denominada ataraxia (termo utilizado a primeira vez por Demócrito em 400 a.C.).

Juntamente com Marco Aurélio e Cícero, conta-se entre os mais importantes representantes da intelectualidade romana.
Séneca via no cumprimento do dever um serviço à humanidade. Procurava aplicar a sua filosofia à prática.
Deste modo, apesar de ser rico, vivia modestamente: bebia apenas água, comia pouco, dormia sobre um colchão duro.

Séneca não viu nenhuma contradição entre a sua filosofia, estóica, e a sua riqueza material: dizia que o sábio não estava obrigado à pobreza, desde que o seu dinheiro tivesse sido ganho de forma honesta.
No entanto, devia ser capaz de abdicar dele.

Séneca via-se como um sábio imperfeito: "Eu elogio a vida, não a que levo, mas aquela que sei dever ser vivida." Os afectos (como relutância, vontade, cobiça, receio) devem ser ultrapassados. O objectivo não é a perda de sentimentos, mas a superação dos afectos. Os bens podem ser adquiridos, à condição de não deixarmos que se estabeleça uma dependência deles.
Para Séneca, o destino é uma realidade.

O homem pode apenas aceitá-lo ou rejeitá-lo. Se o aceitar de livre vontade, goza de liberdade. A morte é um dado natural. O suicídio não é categoricamente excluído por Séneca.

Séneca influenciaria profundamente o pensamento de João Calvino. O primeiro livro de Calvino foi um comentário ao De Clementia, de Séneca.

Ao se analisarem os escritos de Seneca, é possível perceber a forma pela qual alcançou o conhecimento e desenvolvimento da ideia de fluxo de energia, que advém, segundo ele, de algum princípio ativo (termo utilizado em seu livro Questões naturais), o qual sujeita a regra geral: Causa e Efeito, ou Ação e Reação, de tal forma que sugeria em uma de suas cartas a Lucílio, que só tem domínio de si aquele que não faz de seu corpo um peregrinador por outros corpos.

Séneca destacou-se como estilista literário. Numa prosa coloquial, seus trabalhos exemplificam a maneira de escrever retórica, declamatória, com frases curtas, conclusões epigramáticas e emprego de metáforas.

A ironia é a arma que emprega com maestria, principalmente nas tragédias que escreveu, as únicas do gênero na literatura da antiga Roma. Versões retóricas de peças gregas, elas substituem o elemento dramático por efeitos brutais, como assassinatos em cena, espectro

Fonte : Material extraído da maior enciclopédia virtual Wikipedia.org.
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9neca

Imagem: Google