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A SAGA DE MOISÉS POR LUCIANO DUDU

EU RECOMENDO - EXPURGO DE FLÁVIA NEVES

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Origem e a História Primitiva do Coliseu

 
 A memória do imperador Augusto é cara aos romanos. Por seu grande talento e habilidade, ele não apenas conquistou para si o cetro do poder supremo, mas também elevou o próprio Império dentre as nações do mundo, e iniciou o período conhecido como idade de ouro. Suas virtudes naturais mostram um agradável contraste com a devassidão e os vícios de seus sucessores imediatos.
A ele deve-se a honra de haver planejado a construção do anfiteatro. Havendo embelezado a cidade com casas de banhos e templos de insuperável magnificência, ele concebeu a idéia de erigir um imenso anfiteatro para os espetáculos gladiatórios, que deveria exceder em dimensão e esplendor todos os edifícios do mundo. 
A morte levou-o antes que pudesse realizar seu grande projeto.
Os anos passaram, e sete imperadores, que não tiveram nem energia nem talento para executar o imenso empreendimento, sentaram-se no trono de Augusto.
Contudo, ele não foi esquecido, e o clamor do povo pelo início da construção foi ouvido por Vespasiano.
A este empreendedor soberano deve-se a edificação desta maior obra da antigüidade, que é atualmente a maior ruína do mundo.
 Vespasiano era orgulhoso e ambicioso; buscava rivalizar a fama de Augusto, e no segundo ano de sua elevação ao trono, iniciou a construção do Coliseu. Isto foi no ano 72 de Nosso Senhor. 
Ele morreu antes que a obra fosse terminada, e embora houvesse mais de trinta mil pessoas trabalhando constantemente, oito anos foram necessários para a sua edificação, e ela foi dedicada por Tito, no ano 80 de nossa era.
A construção não foi perfeitamente completada até o reinado de Domiciano. 
O estupendo edifício foi erigido no lugar de um viveiro de peixes, nos jardins de Nero. 
Edificado no meio das sete colinas, e bem no coração da antiga cidade, ele não apenas superou em imensidão e magnificência os outros dois anfiteatros de mármore que havia em Roma, mas excedeu em brilho a esplendorosa casa dourada de Nero. 
Tanto Vespasiano como Tito valeram-se da experiência de suas viagens ao oriente, para fundir nos esboços do anfiteatro toda a ousadia e majestade da arquitetura síria e egípcia, com a beleza e o refinamento da arte grega.
A sua imensidão, mesmo em suas ruínas, é surpreendente, enquanto suas arcadas erguem-se em incríveis proporções umas sobre as outras, nas ordens jônica, dórica e coríntia. 
O tamanho, a beleza e a força combinaram se para fazê-lo o maior, o mais belo e mais durável dos monumentos antigos.
 Erguendo-se para o ar, tão alto quanto os montes Palatino e Célio, uma montanha no lado de fora e um vale dentro, ele supera, inquestionavelmente, qualquer coisa que a Grécia, o Egito ou Roma tenham visto antes.
Marcial, o poeta, que o viu surgir de sua fundação, declara que Roma não mais teve o que invejar no Oriente, uma vez que o seu soberbo anfiteatro era mais maravilhoso que as pirâmides de Memphis ou as obras da Babilônia.
Até os críticos mais aprovados definem o Coliseu como um edifício oriental vestido num traje grego. 
As maiores obras do homem têm geralmente a sua origem na destruição. 
Na história do mundo, raramente houve um edifício ou uma nação que não fosse edificado sobre as ruínas de outro.
Os operários do Coliseu foram os judeus cativos, que adornaram o triunfo de Tito; o material foi parcialmente retirado da casa tombada de Nero. 
Os cristãos podem enxergá-lo como um poderoso monumento erguido em comemoração ao cumprimento da profecia.
O arado passara sobre a cidade e o templo de Jerusalém; seu povo orgulhoso fora humilhado ao pó, e espalhado aos quatro ventos do céu.
Setenta mil de sua nação derrotada foram levados a Roma por Tito. 
Havendo-lhe ornado o triunfo, foram eles divididos em três classes: as mulheres e as crianças de até dezesseis anos foram vendidas como escravos pelos preços mais miseráveis. O Senhor Jesus foi vendido por trinta moedas de prata; após o triunfo de Tito, podia-se comprar trinta judeus por apenas uma dessas moedas.
Alguns dos homens foram enviados ao Egito para trabalhar nas marmoreiras, mas a grande maioria ficou para trabalhar no Coliseu.
O número é variavelmente estimado entre trinta mil e cinqüenta mil. Assim, os muros daquele poderoso emblema de tudo o que há de triste e horrível foram cimentados com as lágrimas de um povo decaído. 
As estruturas superiores do Coliseu foram construídas com o materiallevado da casa tombada dos césares na Palestina.
Quando Vespasiano e Tito ordenaram a destruição de grande parte da casa de Nero, efetuaram um ato muito prazeroso ao povo romano. 
Era um monumento de detestável esplendor, que se erguera sobre as ruínas de sua cidade queimada; a sua riqueza e grandeza só faziam recordar ao povo a tirania e a opressão.
 Nem bem a ordem fora dada, o populacho ajuntou-se na obra de devastação. Imensos blocos de travertino dourado, colunas, capitéis, e cornijas de mármore dos mais elaborados entalhes, junturas de ferro e de ouro, e massas indestrutíveis de alvenaria, foram rude e indiscriminadamente arrastados para ornamentar ou completar a vasta obra do Coliseu.
 O poderoso anfiteatro tomar-se-ia uma ruína; após o lapso dos séculos, seria derrubado pela mão do tempo, e por sua vez, forneceria material de seus arcos caídos para a construção dos palácios medievais e modernos da Cidade Eterna.
O imenso palácio quadrilátero da embaixada veneziana, o Farnese, o Barberini, e outros de menor importância, brotaram das ruínas do Coliseu.
É assim na história do homem: os maiores monumentos de esplendor moderno surgiram, à semelhança de Fênix, das ruínas de uma poderosa estrutura que nossos antepassados presunçosamente imaginaram imperecível.

 
Devemos agora ter uma visão do anfiteatro em seu perfeito estado. Fragmentos de descrição foram coletados dos historiadores antigos, e o quadro está quase completo. Partindo do modo como as ruínas se encontram agora, a fantasia pode preencher muitos detalhes. Ele possui uma bela figura oval, 155 metros de comprimento e 36 metros de largura.

Foi erguido sobre oitenta arcadas imensas, e eleva-se em quatro ordens sucessivas de arquitetura à altura de 49 metros.
Na sua totalidade, o edifício cobre um espaço de 24.000 m2. Por fora, era incrustado com mármore e decorado com estátuas.
As rampas da vasta concavidade que formava o interior eram repletas com sessenta ou oitenta fileiras, dispostas em roda, de assentos de mármore cobertos com almofadas, capazes de acomodar facilmente 100.000 espectadores.
Sessenta e quatro vomitórios (as portas de saída eram apropriadamente conhecidas por este nome) davam saída à colossal multidão; as entradas, as passagens, e as escadarias foram planejadas com tal destreza, que cada pessoa, fosse da ordem senatorial, dos cavaleiros, ou dos plebeus, chegava ao lugar que lhe era destinado sem problemas ou confusão.
  A fileira de assentos mais baixa, próxima à arena, agora completamente coberta por terra e entulhos, designada aos senadores e embaixadores estrangeiros, era chamada de podium. Numa plataforma elevada estava o trono do imperador, sombreado por um palio carmesim, como uma tenda.
O lugar dos administradores ou organizadores dos jogos, como eram chamados, e das virgens vestais, ficava ao lado do assento do imperador.
O podium era protegido contra a irrupção dos animais selvagens por uma barreira, ou parapeito, de ouro ou bronze dourado. 
Como uma defesa adicional, a arena era cercada com uma grade de ferro e um canal. 
Os éqüites, ou segunda ordem de nobres, sentava-se em quatorze fileiras atrás dos senadores.
O restante do povo acomodava-se atrás, nos assentos chamados de popularia, que se elevava em bancada sobre bancada, até uma galeria com uma colunata em frente, circundando todo o anfiteatro logo abaixo do toldo, e geralmente ocupada Por mulheres, soldados e serventes.
Nada se omitia do que pudesse ser útil à conveniência e ao prazer dos espectadores.

O enorme dossel ou toldo, que às vezes era estendido sobre toda a extensão, oferecendo proteção contra o sol ou a chuva, era uma das maravilhas do Coliseu.
Faz-se necessária uma esticada na imaginação para acreditar. 
Quando nos colocamos, mesmo agora, em meio às ruínas, e vemos a vasta amplidão do céu sobre nós, a mente perde-se em dúvidas e conjecturas sobre a possibilidade de um fato tão prodigioso. 
Não obstante, todos os historiadores que escreveram sobre o Coliseu mencionam esta cobertura, como se nela nada houvesse de extraordinário.
Lampridio relata que era preciso várias centenas de homens para lidar com este toldo, e que eles vestiam-se de marinheiros.
A um sinal, quando havia ameaça de chuva, ou o sol estava quente demais, havia um movimento simultâneo entre os atendentes; então as cordas rangiam, e a poderosa vela deslizava gradativamente para o centro, todas as velas reunindo-se em perfeita harmonia, e formando juntas o imenso lençol que cobria completamente o interior. 
Permanece estranho o fato de que no tempo de Tito esse dossel fosse de seda púrpura, e debruado de ouro.
O ar era constantemente refrescado pelas fontes, e uma infinidade de pequenos tubos aspergiam um chuvisco dos mais deliciosos perfumes, que descia sobre os espectadores como orvalho aromático.
A arena, em cujo centro achava-se a estátua de Júpiter, formava o palco.
Ela recebeu este nome por ser usualmente esparzida com a mais fina areia branca. 
Por baixo, havia um mecanismo do mais extraordinário e complicado caráter, que facultava à arena, durante os jogos, assumir diferentes formas, em rápidas sucessões. 
Numa ocasião, ela parecia subir da terra como o jardim das Hespérides; noutra, transformada em rochas e cavernas de Trácia.
Canos subterrâneos transportavam um inexaurível suprimento de água, e o que minutos antes parecia uma planície, podia repentinamente converter-se em um vasto lago, coalhado de navios armados, para deleitar o povo com entretenimentos náuticos.

Fonte :Publicado originalmente em inglês em 1874 como History ofthe Coliseum and Its Martyrs.Tradução: Marta Doreto de Andrade;preparação de originais: Isael de Araújo;capa e projeto gráfico: Alexander Diniz; Editoração: Leonardo Marinho
Imagem: Google

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

OS AMORES DE ZEUS





O rei dos deuses não se dedicava apenas a desgraçar os homens. Também procurava  fazer as mortais felizes, sobretudo aquelas que lhe agradavam... e foram muitas.  Embora fosse casado com a deusa Hera, Zeus teve inúmeras aventuras amorosas. Sua legítima esposa era ciumentíssima e não gostava nem um pouco das escapulidas do marido. Quando vinha a saber que ele tinha ido visitar uma mortal, ficava louca de raiva. Sua cólera só se aplacava quando ela se vingava da mortal ou dos filhos que essa mulher tivera com o deus. Hera estava sempre de olho em Zeus, que fazia de tudo para escapar à sua vigilância.
Zeus gostava de assumir a aparência de algum bicho a fim de evitar a desconfiança de suas bonitas vítimas. Usou dessa artimanha para se aproximar da bela Leda. A jovem acabara de se casar com Tíndaro, rei da Lacedemônia. Zeus se transformou em cisne  e, fingindo-se perseguido por uma águia, refugiou-se junto da jovem rainha, que o  acolheu em seus braços. Aproveitando-se dessa terna proteção, ele se uniu a ela e lhe  deixou dois ovos de tamanho incomum. De um nasceram dois gêmeos, Castor e Póluxdo outro, duas irmãs, Clitemnestra e Helena. Essa união permaneceu secreta, e Tíndaro acreditou que tinha dado quatro filhos à sua jovem esposa. Os filhos nascidos das uniões passageiras de Zeus com as mortais tiveram um destino bem particular. Alguns conquistaram grande poder, como Minos, que se tornou um dos três juizes do Inferno.

A mãe de Minos era humana e se chamava Europa. Zeus tinha visto a moça quando ela jogava bola com as amigas à beira-mar. Impressionado com a delicadeza da sua silhueta e com a pureza de seus traços, não resistiu ao desejo de conhecê-la melhor. Não longe dali, pastavam touros novos. Ele se misturou ao rebanho na forma de um touro ainda mais bonito que os outros, notável por sua brancura e pelo vigor dos músculos.
Europa ficou encantada com o esplendor do animal e a ternura do seu olhar. Sem medo do tamanho do touro, ela se aproximou dele, acariciou-o demoradamente e, confiante, montou nele. Nesse momento, o deus a raptou diante dos olhares impotentes das outras moças e a carregou pelos ares, acima do mar. O casal desapareceu no horizonte. Conta-se que Zeus levou Europa a Creta, onde ela deu à luz Minos. Quando estava na terra, Zeus nunca se mostrava em sua forma divina. Somente uma vez desobedeceu a essa regra.
Tinha seduzido Sêmele, filha de Cadmo, rei de Tebas. A jovem mulher só se  encontrava com ele à noite, portanto não conhecia a fisionomia do amante. Ela sabia que Zeus era um deus porque ele lhe sussurrara isso mais de uma vez. Hera, morrendo de ciúme ao ver o divino esposo apaixonado por uma mortal novamente, armou uma cilada para a rival.

Foi ter com Sêmele, sob a aparência de uma velhinha: "Minha filha, peça-lhe como prova de amor que ele se mostre tal como é nos céus ao lado da esposa. Assim, você terá certeza de não ter sido enganada por um impostor." Essas palavras fizeram a dúvida surgir no coração da jovem. Ela quis ver o amante e pediu que ele lhe fizesse um favor, mas não disse qual era. O deus aquiesceu, e quando soube do que se tratava, era tarde demais: dera sua palavra. Tentou então desencorajar a moça. Em vão. Quanto mais procurava dissuadi-la, mais ela insistia. Obrigado a cumprir o que prometera, ele se revelou em toda a sua potência, resplandecendo em relâmpagos. Ora, nem os olhos nem o corpo de uma mortal eram capazes de suportar o brilho daquela luz tão viva, e a infeliz nem teve tempo de entender isso: pereceu imediatamente, fulminada.
Acontece que Sêmele estava no sexto mês de gravidez, e Zeus se apressou a salvar o
filho que ela trazia no ventre. Para dar continuidade à gestação, o deus abriu, na própria
coxa, uma bolsa e nela colocou a criança. Depois, fechou-a com grampos de ouro. Quando
o tempo fixado pelo destino chegou a seu termo, Zeus deu à luz Dioniso. Embora nascido
de uma mãe mortal, o menino, por causa do pai, era imortal.

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega/ Claude Pouzadoux; ilustraçoes de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. - São Paulo: Companhia das Leiras, 2001.
Imagem: Google

A CAIXA DE PANDORA





Crono não era apenas um deus violento e ávido de poder. Ele presidia uma raça de homens a que os deuses tinham dado uma existência amena e pacífica, semelhante à deles. Como os deuses, os homens não envelheciam e não sabiam o que era cansaço nem dor. Para se alimentar, não precisavam trabalhar, porque a terra, sem ser cultivada, produzia o ano inteiro frutos em abundância. Sem esforço, portanto, os homens colhiam frutas deliciosas nos arbustos, abaixando-se somente para catar os morangos saborosíssimos que a natureza lhes oferecia. Não necessitavam usar roupa, porque só havia uma estação, a primavera.
Sua vida tranqüila era marcada por festas em que as relações de amizade e mútuo bem-querer se expandiam. Esses tempos eram chamados de idade de ouro porque tinham a pureza, a riqueza e a eternidade do ouro. Mas essa raça de homens acabou se extinguindo, e outra a sucedeu.




Em seguida, os deuses criaram do barro os seres vivos. Sem perceber, privilegiaram os animais, em detrimento dos homens. De fato, os primeiros receberam as qualidades físicas que lhes permitiam se adaptar perfeitamente ao meio natural. Alguns, como o urso, foram dotados de grande força; outros, menores, como os passarinhos, ganharam asas para fugir. A divisão parecia eqüitativa, e as qualidades distribuídas entre as diversas espécies se equilibravam. Mas uma das espécies foi esquecida: a humana. Com sua pele apenas, os homens não podiam suportar o frio, e seus braços nus não eram suficientemente robustos para combater os animais selvagens. A raça humana estava ameaçada de extinção...
Prometeu, filho do titã Jápeto, sentiu pena dos fracos mortais. Ele sabia que a inteligência deles possibilitaria que fabricassem armas e construíssem abrigos se eles tivessem meios para isso, mas lhes faltava um elemento essencial: o fogo. Com o fogo, poderiam endurecer a ponta de suas lanças, a fim de torná-las mais resistentes, e se aquecer em seu lar. Ora, os deuses conservavam com o maior cuidado a preciosa chama só para si. Prometeu teve que penetrar discretamente na forja de Hefesto, o deus do fogo, para roubar a chama, que levou para os homens oculta no oco de uma raiz. Zeus não ignorou por muito tempo esse furto. Assim que notou o brilho de uma chama entre os mortais, o poderoso soberano deu vazão à sua cólera. No mesmo instante jurou se vingar dos homens e do benfeitor deles, Prometeu. Combatendo uma esperteza com outra, teve a idéia de produzir uma criatura irresistivelmente encantadora que causaria a desgraça dos homens. Assim, usando barro, criou a primeira mulher, que chamou de Pandora. Contou com a ajuda de Hefesto, que a enfeitou com as jóias mais delicadas, e de Atena, que a vestiu com um tecido vaporoso, preso na cintura por um cinto trabalhado artisticamente. Quando ela ficou pronta, Zeus a mandou à casa de Epimeteu, irmão de Prometeu. Conhecia a ingenuidade e a imprudência desse deus. Não podendo resistir aos atrativos de tão bela pessoa, Epimeteu esqueceu que o irmão o prevenira contra os presentes de Zeus. Recebeu Pandora e a instalou em sua casa. Pandora havia trazido consigo uma caixa que não deveria abrir em hipótese nenhuma. Isso lhe fora expressamente recomendado por Zeus ao lhe dar a caixa. Era mais uma esperteza, porque ele sabia muito bem que um dia a jovem iria querer descobrir o conteúdo dela. Movida pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa... de onde saiu precipitadamente um vento de desgraças. Apavorada, ela viu passar a fisionomia
ameaçadora da crueldade e o sorriso malicioso do engano. Ouviu os gritos queixosos dos miseráveis e dos sofredores. Outras desgraças começavam a se propagar assim no vasto munido. Quando Pandora descobriu seu trágico erro, tampou rapidamente a caixa. E então a Esperança e todas as promessas de felicidade para os homens ficaram para sempre trancadas ali. Nada disso se devia ao acaso: a primeira etapa da temível vingança de Zeus se consumara. O segundo castigo, mais cruel, iria atingir Prometeu. Zeus o acorrentou a um
rochedo com cadeias que o prendiam dolorosamente pelos braços e pernas. Assim exposto, sem poder se defender, Prometeu sofria todos os dias o ataque de uma águia que vinha lhe devorar o fígado. E todos os dias, para seu suplício, seu fígado se recompunha. Em troca de um favor, Prometeu recebeu uma terrível punição. Quanto aos homens, eles aprenderam com isso que um bem podia vir acompanhado de uma desgraça.





Fonte: Contos e lendas da mitologia grega / Claude Pouzadoux; ilustrações de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo: Companhia das Leiras, 2001
Imagem: Google