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A SAGA DE MOISÉS POR LUCIANO DUDU

EU RECOMENDO - EXPURGO DE FLÁVIA NEVES

domingo, 25 de setembro de 2011

TESEU E SEUS CONTOS MITOLOGICOS




TESEU Teseu era filho de Egeu, rei de Atenas, e de Etra, filha do rei de Trézen, por quem foi criado. Depois de homem, foi mandado a Atenas e entregue a seu pai.
 Egeu, separando-se de Etra, antes do nascimento do filho, colocou a espada e as sandálias sob uma grande pedra e determinou à esposa que lhe mandasse o filho quando este fosse bastante forte para levantar a pedra.
Chegada a ocasião, a mãe de Teseu executou a incumbência e o jovem removeu a pedra com facilidade e se apoderou da espada e das sandálias. Como as estradas estavam infestadas de bandidos, o avô de Teseu aconselhou-o a seguir o caminho mais seguro e mais curto para o país de seu pai: por mar.
O jovem, contudo, sentindo em si o espírito e a alma de um herói, e desejoso de se destacar como Hércules, cuja fama corria, então, por toda a Grécia, pelo fato de destruir os malfeitores e os monstros que flagelavam o país, resolveu fazer a viagem mais perigosa e aventurosa por terra.
No primeiro dia de viagem, chegou a Epidauro, onde vivia um filho de Vulcano, Perifetes, selvagem feroz, sempre armado com uma clava de ferro, que atemorizava os viajantes, com seus atos de violência.
Ao ver aproximar-se Teseu, ele o atacou, mas foi logo vencido pelo jovem herói que se apoderou de sua clava e trouxe-a sempre consigo, depois disso, como lembrança de sua primeira vitória.
 Seguiram-se várias lutas semelhantes contra tiranetes e bandidos e em todas Teseu saiu vitorioso.
 Um dos malfeitores chamava-se Procusto e tinha um leito de ferro, no qual costumava amarrar todos os viajantes que lhe caíam nas mãos.
Se eram menores que o leito, ele lhes espichava as pernas e, se fossem maiores, cortava a parte que sobrava.
Teseu castigou-o, fazendo com ele o que ele fazia com os outros. Tendo vencido todos os perigos da viagem, Teseu finalmente chegou a Atenas, onde novas ameaças o aguardavam.


Medéia, a feiticeira, que fugira de Corinto, depois de separar-se de Jasão, tornara-se esposa de Egeu pai de Teseu.
Sabendo, graças às suas artes, quem ele era, e receando perder a influência sobre o marido, se Teseu fosse reconhecido como seu filho, induziu mil suspeitas no espírito de Egeu e aconselhou-o a fazer o jovem estrangeiro beber uma taça de veneno. No entanto, quando Teseu avançava para receber a taça, seu pai, reconhecendo a espada que ele trazia, viu quem ele era e não deixou que tomasse o veneno.
Medéia, desmascarada, fugiu mais uma vez ao merecido castigo indo para a Ásia, onde deu nome ao país posteriormente chamado Média.
Teseu foi reconhecido pelo pai e declarado seu sucessor.
Os atenienses encontravam-se, naquela época, em estado de grande aflição, devido ao tributo que eram obrigados a pagar a Minos, rei de Tebas.
Esse tributo consistia em sete jovens e sete donzelas, que eram entregues todos os anos, a fim de serem devorados pelo Minotauro, monstro com corpo de homem e cabeça de touro, forte e feroz, que era mantido num labirinto construído por Dédalo, e tão habilmente projetado que quem se visse ali encerrado não conseguiria sair, sem ajuda.
Teseu resolveu livrar seus patrícios dessa calamidade, ou morrer na tentativa. Assim, quando chegou a ocasião de enviar o tributo e os jovens foram sorteados, de acordo com o costume, ele se ofereceu para ser uma das vítimas, a despeito dos rogos de seu pai.
O navio partiu, como era de hábito, com velas negras, que Teseu prometeu ao pai mudar para brancas, no caso de regressar vitorioso.
Chegando a Creta, os jovens e donzelas foram todos exibidos diante de Minos, e Ariadne, filha do rei, que estava presente, apaixonou-se por Teseu, e este amor foi correspondido.
A jovem deu-lhe, então, uma espada, para enfrentar o Minotauro, e um novelo de linha, graças ao qual poderia encontrar o caminho. Teseu foi bem-sucedido, matando o Minotauro e saindo do labirinto. Levando, então, Ariadne, regressou a Atenas, juntamente com os companheiros salvos do monstro.
Durante a viagem, pararam na Ilha de Naxos, onde Teseu abandonou Ariadne, deixando-a adormecida. (1)
A desculpa que deu para tratar com tanta ingratidão sua benfeitora foi que Minerva lhe apareceu num sonho ordenando-lhe que assim o fizesse.
Ao aproximar-se do litoral da Atica, Teseu esqueceu-se da combinação que fizera com o pai e não mandou alçar as velas brancas.
O velho rei, julgando que o filho tivesse morrido, suicidou-se. 
Teseu tornou-se, então, rei de Atenas.
Uma das mais célebres aventuras de Teseu foi a expedição contra as amazonas.
Atacou-as antes que elas se tivessem refeito da derrota infligida por Hércules, e aprisionou sua rainha, Antíope. As amazonas, por sua vez, invadiram o reino de Atenas, penetrando na própria cidade, onde se travou a batalha final, em que Teseu as derrotou.
Essa batalha foi um dos assuntos favoritos dos escultores da antigüidade e ainda existem várias obras-de-arte que a representam.

A amizade entre Teseu e Pírito, embora íntima, originou-se em combate. Pírito invadiu a planície de Maratona e roubou os rebanhos do rei de Atenas.
Teseu foi repelir os invasores.
No momento em que o viu,Pírito foi tomado de admiração; estendeu a mão, como sinal de paz e gritou:
— Sê juiz tu mesmo. Que satisfação exiges?
— Tua amizade — respondeu o ateniense.
E os dois juraram inviolável fidelidade.
Suas façanhas correspondiam a seus votos e eles se mantiveram sempre verdadeiros irmãos de armas.
Ambos aspiravam desposar uma filha de Júpiter.
Teseu escolheu Helena, ainda criança e mais tarde tão célebre por causa da Guerra de Tróia, e, com ajuda do amigo, raptou-a. Pírito aspirava conquistar a esposa do monarca de Erebo, e Teseu, embora consciente do perigo, acompanhou o ambicioso amante, na descida ao mundo subterrâneo. Plutão, porém, aprisionou-os e prendeu-os numa rocha encantada na porta de seu palácio, onde ficaram até que Hércules chegou e libertou Teseu, deixando Pírito entregue ao seu destino.
Depois da morte de Antíope, Teseu desposou Fedra, filha de Minos, rei de Tebas. Fedra viu em Hipólito, filho de Teseu, um jovem dotado de todas as qualidades e virtudes do pai, e de idade correspondendo à sua própria. Amou-o, mas ele a repeliu e o amor transformou-se em ódio.
Fedra lançou mão do apaixonado marido, para torná-lo ciumento do filho e Teseu invocou contra ele a vingança de Netuno.
Quando Hipólito, certo dia, dirigia seu carro junto à praia, um monstro marinho surgiu das águas e espantou os cavalos, que dispararam, despedaçando o carro. Hipólito morreu, mas, com a ajuda de Esculápio, Diana ressuscitou-o e afastou-o do iludido pai e da traiçoeira madrasta, deixando-o na Itália, sob a proteção da ninfa Egéria. Finalmente, Teseu, privado da simpatia de seu povo, retirou-se para a corte de Licômedes, rei dos Ciros, que, a princípio, o tratou com bondade, porém, mais tarde, matou-o traiçoeiramente. Em época posterior, o general ateniense Címon descobriu o lugar onde jaziam seus restos, que foram traslados para Atenas e depositados num templo chamado Teseum, erguido em honra do herói.
A rainha das Amazonas que Teseu desposou é chamada por alguns de Hipólita. Este é o nome que aparece no Sonho de Uma Noite de Verão de Shakespeare, cujo enredo são as festividades que precederam as núpcias de Teseu e Hipólita.
Teseu é um personagem semi-histórico, que unificou as diversas tribos que habitavam o território da Ática, do qual Atenas se tornou a capital. Comemorando esse importante acontecimento, foi instituída a festividade chamada Panatenéias, em honra de Minerva, padroeira de Atenas.
Essa festividade diferenciava-se das outras festividades gregas, principalmente em duas coisas: era peculiar aos atenienses e sua característica principal consistia numa procissão solene, em que o Péplus, ou túnica sagrada de Minerva, era levado para o Partenon e colocado diante da estátua da deusa.
O Péplus era coberto de bordados, executados por virgens escolhidas entre as mais nobres famílias de Atenas.
Da procissão participavam pessoas de todas as idades e de ambos os sexos. Os velhos traziam nas mãos ramos de oliveira e os moços, armas, ao passo que as moças levavam na cabeça cestos com os utensílios sagrados, bolos e tudo mais necessário aos sacrifícios.
Essa procissão constituiu o motivo dos baixos-relevos que ornamentavam a parte externa do Partenon, e grande parte dos quais encontra-se, atualmente, no Museu Britânico, sendo conhecida como "mármores de Elgin".


Fonte: 26a ed O livro de ouro da mitologia: (a idade da fábula) : histórias de deuses e heróis / Thomas Bulfinch ; tradução de David Jardim Júnior — 26a ed. — Rio de janeiro, 2002

terça-feira, 29 de março de 2011

Os Egípcios


Capítulo 1/6
Escrito por Júlio Gralha
 


Obcecada pela vida eterna e pela perpetuação da alma, a religião egípcia fascina por seu caráter místico. As pirâmides são o testemunho mais perene dessa busca pela eternidade.
O Livro dos mortos abre as portas para a transcendência. E o culto dos faraós, materialização do divino, revela o respeitodos egípcios pela autoridade. Em tudo, as forças da natureza mostravam-se soberanas, personificadas como divindades, a começar pelo Sol, símbolo da vida. E ainda havia o Nilo na Terra...
Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google
 
Amigo leitor, estamos trazendo a partir de hoje uma série de postagens sobre o Egito , convido-o para  continuar a leitura  nas próximas postagens sobre a religião e a mitologica egípica.
Boa leitura e reflexão
Luciano Dudu


A religião dos Egípicos


Capítulo : 2/6
Escrito por : Júlio Gralha



 Onde encontrar a religião dos egípcios?


Os egípcios e sua religião têm exercido grande fascínio sobre o mundo ocidental, desde há muitos séculos. Há mais de dois mil anos, Heródoto já se espantava com eles e justificava o alto nível de desenvolvimento da civilização egípcia como conseqüência inevitável do rio Nilo.
Napoleão se derretia pelo Egito e todas as nações desenvolvidas do Ocidente trataram de criar uma seção de múmias e esculturas egípcias em seus museus.
Mesmo hoje em dia um bom observador pode notar a freqüência com que pirâmides e obeliscos são reproduzidos em cidades do mundo inteiro, inclusive nas brasileiras.
O Egito atual é fruto de rupturas tão significativas a ponto de tornar-se irreconhecível para quem quer encontrar lá a antiga civilização.
Embora com o mesmo nome, ela não existe mais, como não existem a Pérsia ou a Grécia, antigas. Mas todas elas continuam existindo, como representações idealizadas de um passado idealizado.
Os indícios dos primeiros cultos e templos, que não eram ainda em pedra, datam do quarto milênio antes da chamada era comum (ou, antes de Cristo) e tornaram-se, no segundo milênio, bem organizados. Todos os segmentos sociais praticavam a religião.
A partir da expansão faraônica durante o Novo Império (1.550 – 1.070 a.C.), a religiosidade egípcia tornou-se mais presente em outras regiões. O período ptolomaico (332 - 30 a.C.) e a ocupação romana (30 - 395 d.C.) são ricos, em função do culto à deusa Ísis e ao deus Serápis.


                                                            Deus Serápis




O culto ao deus Serápis — um misto de Zeus, Osíris e o Touro Ápis , profetizado em um sonho de Ptolomeu I, esteve presente no Mediterrâneo e na antiga York (Inglaterra).
Serápis pareceu ser uma tentativa de relacionar egípcios e gregos no início do governo ptolomaico. Ísis já estava bem presente fora do Egito desde o século IV a.C. Seu culto se popularizou de tal forma que indícios foram encontrados em Delos, Rhodes, Turquia, Lesbos, Chipre, Atenas, Pompéia, Roma, Londres, entre tantos outros lugares.
As fontes arqueológicas e históricas disponíveis são fragmentadas e a descrição egípcia da religião deixa os estudiosos em dúvida quanto ao sentido de certas práticas.

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

Concepções Religiosas e Mitologicas Egípcias



Capítulo : 3/6
Escrito por : Júlio Gralha

                                                         O Deus Horus


Os egípcios pensavam o mundo a partir da sua experiência: viviam em um deserto, fertilizado pelas águas de um rio, o Nilo, que não recebia afluentes ou água de chuva.
As cheias, que hoje sabemos, serem o resultado de chuvas na África tropical, eram para eles misteriosas.
O céu sempre azul era dominado pelo Sol, que nascia e morria a cada dia, sem que as pessoas soubessem que isso era devido apenas ao movimento de rotação da Terra.
Interpretavam o mundo como resultado de forças superiores. Os outros mistérios também eram associados a divindades, mas não havia dúvida de que acima de todas estava o Sol.
Assim também ocorria na sociedade egípcia, pois o faraó reinava soberano, também divinizado. Não por acaso, o mito da criação veio da Cidade do Sol, Heliópolis.
Estátua do deus Hórus tendo o monarca aos seus pés, no Templo de Edfu O mito da criação em Heliópolis. O mito era uma forma de explicação para processos naturais que estavam sem resposta no pensamento egípcio, tais como a criação do mundo, da raça humana e o pós-morte.
Os mitos também passavam um tipo de moral, concepção de ordem e caos, e valores éticos que deveriam ser seguidos e ensinados às próximas gerações.

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

Os Nove Deuses Egípcios


Capítulo 4/6
Escrito por : Júlio Gralha


Os mitos representavam necessidades e anseios dos homens e mulheres dessa sociedade. Um dos mitos mais importantes e antigos relativo à criação é o da cidade de Heliópolis, cujo nome em egípcio antigo é Wn, Annu ou Iunnu.
Durante o Antigo Império (2.575 - 2.134 a.C.) tornou-se o principal centro religioso e sede do culto solar, sobretudo da 4ª. à 6ª. dinastias, época da construção das pirâmides de Queóps, Quefren, Miquerinos, Unas, Pepi e Teti.
O prestígio do culto solar foi tal que um dos cinco títulos básicos do faraó, de "Filho de Ra" (sa-Ra), pode ter surgido nesse período.
Referências a esse mito podem ser encontradas nos Textos das Pirâmides no papiro Bremner- Rhind e no livro da Vaca celeste. Estes dois últimos talvez sejam a melhor maneira de conhecê-lo, apesar da forma truncada da narrativa. De um modo geral, podemos contar o mito da seguinte maneira:
No princípio era o Nu (Num), o oceano celestial com sua característica de imobilidade e totalmente estático - a visão do caos na concepção egípcia.

Deus Atum

Do seu interior emergiu o deus Atum auto-gerado (não confundir com Aton, que surgiria na 18ª. dinastia e representa o disco solar). Uma vez emerso do Num, a primeira porção de terra também emergiu para acolher o deus.  Tal porção de terra era identificada por uma forma piramidal, freqüentemente associada a um obelisco.
Segundo George Hart, no livro Mitos egípcios, "este outeiro primitivo tornou-se formalizado como benben (bnbn), uma elevação piramidal firme para sustentar o deus Sol; as relíquias reais de pedra, talvez consideradas como o sêmen petrificado de Atum, eram citadas como sobrevivente no ewet-benben (hwt-bnbn), a Mansão do benben", ou a Mansão da pedra benben.
O benben pode ser interpretado como o raio de Sol petrificado e não necessariamente o sêmen. Uma vez sustentado, o deus Atum inicia o processo de criação dos deuses, por atos oriundos da fala ou da boca. (Em outras variantes, essa criação foi produzida pela masturbação do deus. Há uma outra, ainda, que relata a união do deus Atum com sua sombra (kaibit). Uma vez auto-gerado, o deus Atum expeliu o deus Shu e cuspiu a deusa Tefnut, estabelecendo a primeira tríade.
O Deus Atum e Shu


Shu representava o ar, a atmosfera entre outros atributos (esse deus pode aparecer com o atributo da luz solar segundo outros textos).


Tefhut representava a umidade do céu. A partir desse ponto, o casal Shu-Tefnut continuou a criação gerando o casal Geb (terra) e Nut (céu).
Atum não tomou mais parte na criação, a não ser para gerar, de suas lágrimas, a raça humana. O deus Geb possuía um caráter masculino, ao contrário de muitas sociedades antigas que estabelecem uma relação feminina com a terra — "a mãe terra".

A deusa Nut, por outro lado, representava o céu no qual estrelas, planetas e outros deuses estão presentes.
A barca de Ra navegava 12 horas por dia no seu corpo e tal jornada tinha início no seu ventre, situado no leste, e terminava aparentemente na sua boca, no crepúsculo no oeste.
Em seguida, uma nova fase foi levada a efeito com a geração dos quatro filhos do casal Geb e Nut: Isis


Osíris e Isis





Osíris, que se tornaria rei do mundo inferior,
Ísis, a senhora do trono;
Seth, representando forças caóticas da natureza,
Néfits, a senhora do castelo.


Um aspecto importante nessa fase da criação é o papel de Osíris e Seth, que representavam uma certa dualidade de princípios na forma masculina. Assim, temos a terra fértil e estéril, o vale do Nilo e o deserto, luz e trevas, ordem e caos, Osíris e Seth.
Ísis representa o aspecto materno, a grande maga e consorte de Osíris. Ela é a senhora do trono (trono de Osíris ou do Egito). Néftis é a senhora do castelo ou mansão — Nebt-het. Esse castelo pode ser entendido como um lugar no firmamento e a casa de Hórus.
Assim, os deuses Atum (ou Ra, o deus Sol), Shu, Tefnut, Geb, Nut, Osíris, Ísis, Seth e Néftis formaram a enéada de Heliópolis. Ou seja, os nove deuses da criação.
Aos deuses é agregado Hórus ou Heru, que representava o faraó ou a própria raça humana.




Horus
Horus e Set

Com o Hórus vivo deixado na terra depois da partida de Atum-Ra para o firmamento e Osíris reinando no mundo inferior, o processo da criação estava estabelecido.
A criação da natureza ocorreu em algum ponto das quatro fases da criação. Assim, a espécie humana — criada a partir das lágrimas de Atum-Ra — passou por um processo diferente do mundo natural.

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

O Mito de Osíris


Capitulo 5/6
Escrito por : Júlio Gralha

Osiris no templo


Osíris era o deus que, com sua irmã-esposa Ísis, remava sobre
o Egito.
Ele havia ensinado aos homens a agricultura e a metalurgia e era amado por seus súditos. Seu enciumado irmão Seth (o deus do mau vento do deserto) o matou, colocou seu corpo num cofre e jogou no Nilo.

Ísis

Ísis procurou o cadáver do marido e o encontrou em Biblos. Ela o trouxe de volta e o escondeu em um pântano.
Seth o descobriu, cortou o em 14 pedaços e os espalhou pelo Egito. Ísis novamente foi atrás do marido, recuperou os pedaços em decomposição, com exceção do falo, e, com eles, fez uma múmia. Com a ajuda de outros deuses mais seus poderes mágicos, Ísis devolveu a vida ao marido e reconstituiu seu membro perdido.
Horus

O casal gerou Hórus, que foi criado pela mãe e protegido do ambicioso Seth até chegar o momento de assumir o trono.
Osíris não recuperou seu reinado terrestre, mas passou a reinar sobre os mortos.  Hórus, mais tarde, tornou-se o rei do Egito. 
Os faraós o sucederam.
Isis e Osíris

 Se o mito de Heliópolis pretende dar conta das questões relativas à origem dos deuses, do mundo natural e da espécie humana,o mito de Osíris parece demonstrar formas de conduta da sociedade egípcia, tais como o papel de um rei justo que é enganado pelo irmão invejoso (Seth); o assassinato do rei bom pelo irmão mau; o papel de Ísis como mulher, esposa, dedicada e leal, que procura o corpo do marido e não descansa enquanto não o encontra; o poder de magia também de Ísis e a possibilidade de ressurreição com Thot e Anúbis, que revivem Osíris e reconstituem seu falo, permitindo, assim, que Ísis gere um herdeiro (o filho Hórus).
De fato, se analisarmos o mito como um todo poderemos perceber que ele trata muito mais da saga da deusa Ísis do que de Osíris.

O mito tem grande importância também por estar associado ao rito funerário e à mumificação, uma vez que Osíris torna-se senhor do mundo inferior e "ressuscita" nesse local depois de mumificado. Desse modo, todo aquele que morre, passando pelo rito funerário e pelo processo da mumificação, é considerado um Osíris.



A deusa Isis

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
Imagens : Google

Religiões e Cultos Egípcios



Capítulo 6/6
Escrito por Júlio Gralha
 
 

Havia três modos de cultos no Egito antigo:
1)- Oficial,
2)- Popular
3)- Funerário.


O culto oficial era realizado pelo faraó e pelo corpo de sacerdotes nos grandes templos e em diversas regiões do Egito. Era endereçado aos deuses do panteão egípcio. Os deuses locais tinham uma importância maior no culto.
Dessa forma, na cidade de Mênfis, a tríade constituída pelo deus Ptah (deus dos artesãos, mas considerado criador nessa cidade), pela deusa Sekhmet (deusa solar de grande poder e responsável pelas doenças e pela cura) e pelo "filho"Nefertum deveria ter uma atenção maior.


 Já em Tebas, o deus Amon-Ra — visto aqui como um deus criador —, sua
consorte, a deusa Mut (a mãe), e Khonsu, um deus de característica lunar, ganhariam mais destaque. Mas apenas poucas cidades tinham tríades divinas como essas.
O culto era realizado diariamente por um grupo de sacerdotes que possuía funções específicas no decorrer da cerimônia, como preparar as oferendas, em boa parte alimentos, e o cuidado com os materiais ritualísticos, por exemplo, o que denota uma hierarquia no segmento sacerdotal.
Nessa prática religiosa, o templo era o principal local e poderia servir tanto para o culto aos deuses quanto para o culto ao faraó (nos templos em memória do faraó falecido).
O local tinha um tempo sagrado e tornava-se um espaço santo quando utilizado em rituais e festivais: representava o lugar e o momento em que os homens e os deuses uniam-se.
Assim, aparecia de forma transparente num processo de
comunicação, no qual seria afirmada a presença da divindade
e a renovação dos compromissos entre divindade e homens e
vice-versa.
Desse modo, o monarca se tornaria representante e mediador da humanidade, reafirmando a vitória da existência sobre a não-existência (caos) e afastando tal inexistência para além das fronteiras do Egito. 
Por conseguinte, o espaço sagrado do templo poderia ser justificado através dos mitos cosmogônicos.
O culto popular é mais difícil de ser identificado, já que esse segmento não deixou artefatos que perdurassem como os da realeza e da nobreza egípcia. De todo modo, podemos inferir que o culto era realizado no lar (toda casa tinha um nicho para a divindade) e em capelas nas cidades e pequenas
localidades. 
Em alguns casos, como no culto ao faraó Amenhetep I, a projeção foi tal que um pequeno corpo sacerdotal foi constituído.
O culto oficial e o popular se encontravam nos grandes festivais e procissões que aconteciam ao longo do ano egípcio. 
Nos festivais de caráter oficial, a barca que continha os deuses e possivelmente o faraó saía em procissão pelo Nilo.
 Em outros, uma divindade de um templo visitava outra.
É o caso de Hathor de Dendera e Hórus de Edfu. Nessas festividades, a população tinha acesso à parte do cerimonial e aos mitos através de algum tipo de encenação, pois a esmagadora maioria não sabia ler.
As práticas funerárias, que de um modo geral tinham a função de preparar a pessoa para a outra vida.


A barca da Morte


Quanto mais abastado fosse o egípcio mais complexo seria seu funeral. Aquele desprovido de recursos infelizmente não deixou vestígios claros e não temos como saber ao certo que tipo de rito era praticado no sepultamento. Todavia, por mais pobre que fosse, é provável que um simples culto e funeral se realizasse para que ele pudesse também chegar ao reino de
Osíris.
De um modo geral, o ato funerário envolvia o processo de mumificação, a tumba, o enxoval funerário e ritos como o da abertura da boca.
Dessa forma, passando pelo julgamento, o morto, agora justo de fala e ações (maak-kheru), seria suprido das coisas boas desta vida na vida após a morte. Estaria com os deuses, poderia visitar sua tumba e receber a energia vital (Ka) das oferendas.
 
Fúneral egípicio Anubis

Fonte : As religiões que o mundo esqueceu – Pedro Paulo Funari e outros autores, editora Contexto
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