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A SAGA DE MOISÉS POR LUCIANO DUDU

EU RECOMENDO - EXPURGO DE FLÁVIA NEVES

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A PRIMEIRA BIBLIA IMPRESSA




1456
 
Durante a Idade Média, apenas poucas pessoas possuíam a Bíblia ou livros de qualquer tipo. Os monges copiavam os textos à mão, em folhas de papiro ou em pergaminhos feitos de peles de animais. O custo desses materiais e a remuneração do tempo utilizado pelos copistas estavam muito além das posses do homem comum, mesmo quando o livro que determinada pessoa quisesse ler estivesse ao seu alcance.

Não havia muitas pessoas que conseguiam ler na própria língua, e muitos livros — incluindo-se a Bíblia — estavam disponíveis apenas em latim, língua que um número ainda menor de pessoas compreendia. O povo comum confiava no sacerdote local e nos desenhos ou nas imagens da igreja para obter informação sobre a Bíblia. O sacerdote local, com freqüência, tinha pouco ou nenhum treinamento em latim, e seu conhecimento da Bíblia era bastante precário. Embora os estudiosos debatessem sobre as Escrituras e escrevessem comentários, seus pensamentos dificilmente chegavam até o cristão comum.

Uma das maiores mudanças do século xv teve enorme impacto sobre essa situação. Na década de 1440, João Gutenberg experimentou a impressão com tipos móveis de metal. Ao montar um livro com tipos de chumbo, ele podia fazer muitas cópias a um custo muito inferior ao de um texto copiado à mão.

Em 1456, Gutenberg — ou um grupo do qual ele fazia parte — imprimiu duzentas cópias da Vulgata, a Bíblia latina, revisada por Jerónimo. O homem comum não podia ainda compreender a Palavra de Deus, mas esse foi o primeiro passo de uma enorme revolução.

Durante algum tempo, os impres-sores de Mainz guardaram segredo sobre as técnicas de Gutenberg, mas, em 1483, quando Martinho Lutero nasceu, todos os grandes países da Europa já tinham pelo menos uma máquina de impressão. No espaço de cinqüenta anos, desde a primeira impressão da Bíblia de Gutenberg, os impressores já haviam ultrapassado a quantidade de material que os monges produziram em vários séculos. Os livros passaram a ser disponibilizados em diversas línguas, e houve um aumento do número de pessoas que sabiam ler e escrever.

Sem a invenção de Gutenberg, talvez os objetivos da Reforma tivessem levado mais tempo para ser alcançados. Uma vez que apenas o clero podia ler a Palavra de Deus e compará-la aos ensinamentos da igreja, a Bíblia tinha um impacto limitado sobre o cristão comum.

Com a invenção da máquina de impressão, Lutero e os outros reformadores poderiam fazer com que a Palavra de Deus ficasse disponível "a todo jovem do campo e a qualquer empregada doméstica". Lutero traduziu as Escrituras para um alemão bastante eficaz e de fácil leitura, usado durante vários séculos. A partir do momento em que todos tiveram acesso à Bíblia, nenhum sacerdote, papa ou concilio se colocava entre o cristão e sua compreensão da Bíblia. Embora muitos afirmassem que o homem comum poderia não compreender a Palavra de Deus e talvez precisasse que ela fosse interpretada pelos clérigos, os alemães começaram a fazer exatamente isso.

Conforme liam, esses homens e mulheres comuns começaram a se sentir parte do maravilhoso mundo da Bíblia. O ensinamento da Bíblia em casa tornou-se possível. Lentamente, a barreira entre o pastor e o membro da igreja foi destruída. Em vez de se preocupar com o pensamento "O que tenho de confessar ao sacerdote?", o crente podia perguntar: "Será que a minha vida está de acordo com a Palavra de Deus?".

Com a invenção de uma complexa ferramenta de impressão, um fogo foi aceso por toda a Europa, uma chama que espalhou tanto o evangelho quanto a instrução.

Com bastante freqüência, isso assumiu a forma de troca de idéias teológicas e o afastamento dos grupos heréticos da igreja. Porém, a igreja — que ainda não fora capaz de alçar vôo — não poderia impor qualquer sistema de fé aos que estavam no erro.

Em 1184, o papa Lúcio in, preocupado com o sistema de crenças dos freqüentadores da igreja, pediu que todos os bispos "inquirissem" sobre as crenças de seu rebanho. Um homem que fosse culpado de heresia seria excomungado, ou seja, colocado para fora da igreja. Contudo, não deveria ser punido fisicamente e, caso se retratasse de sua heresia, seria readmitido à igreja. Teoricamente, a igreja usou esse instrumento tanto para corrigir de maneira amorosa um irmão que estava equivocado quanto para proteger os outros desse erro. 
Fonte: 1991, de de Christian History Institute,Título do original · The 100 most important events in Christian history, edição publicada pela Fleming Η. Revell, um selo da Baker Book House Company
Imagem: Google

A INQUISIÇÃO ESPANHOLA



O rei católico Fernando V nomeia em 11 de fevereiro de 1482 novos inquisidores encarregados de erradicar a heresia em território espanhol. Entre eles, figura o futuro inquisidor-geral, Tomás de Torquemada. Símbolo do fanatismo religioso e da violência da Inquisição espanhola, ele teve grande responsabilidade na implantação e generalização da tortura e das fogueiras.

Em 1479, quando a Inquisição medieval vivia suas derradeiras horas, Fernando V e Isabel a Católica fundam a Inquisição espanhola. Este ato de nascimento ilustra a particularidade desta instituição: ela fica sob o controle do Estado e não da Santa Sé, ainda que ela tenha dado autorização. O contexto da Reconquista propicia igualmente o estabelecimento de objetivos bem precisos, orientados contra as minorias religiosas que são os judeus e os muçulmanos.

Os julgamentos da Inquisição adotaram então o nome de Autos da Fé. Preocupada em se livrar das minorias religiosas, a Espanha compromete-se com a Inquisição na prática de “La Limpieza de Sangre”, a pureza do sangue. Dando continuidade à política, a Espanha põe em vigor a emissão de certificados de pureza do sangue, que pretendiam demonstrar que a pessoa era portadora de sangue cristão, ou seja, que ela ou sua família não tinham se convertido recentemente ao cristianismo.
Torquemada

O inquisidor-geral, Tomás de Torquemada, agiu com violência e queimou na fogueira cerca de duas mil pessoas no espaço de 15 anos, provocando certa reprovação da Santa Sé. Não obstante, seu poder se estendeu rapidamente levando à condenação de feiticeiras e da magia. A partir de 1529, a Inquisição assumiu outra missão: a luta contra os protestantes. Graças a esta instituição, a Espanha resistiu à reforma luterana e permaneceu firmemente católica.

Utilizando-se da tortura, fazendo pesar um verdadeiro manto de chumbo religioso e cultural sobre o país, atormentado pela figura cruel de Torquemada, a Inquisição espanhola perdurou por vários séculos. Com efeito, se a Inquisição medieval foi montada em benefício dos instrumentos de controle e da justiça do Estado, a Inquisição espanhola, embora braço do Estado, não tinha esta necessidade e limitação. Meio de preservar as tradições, mantém sua vigência até a conquista napoleônica. Restabelecida em 1823, só seria definitivamente suprimida em 1834.
Imagem; Google

DANTE CONCLUI A DIVINA COMEDIA



Em um dos melhores épicos já escritos, um homem empreende uma jornada rumo ao inferno, ao purgatório e ao céu — uma peregrinação que vai do pecado à salvação. A história dessa jornada exerceu influência imensurável sobre seu idioma (o italiano) e sobre os leitores dos séculos que se seguiram.
A obra A divina comédia, de Dante Alighieri, é um longo poema alegórico dividido em três partes: o "Inferno" acompanha Dante em sua jornada através de nove círculos concéntricos no abismo do inferno, na qual ele é guiado pelo poeta romano Virgílio; o "Purgatório" descreve a jornada deles por uma montanha de nove camadas na qual as almas salvas trabalham com o objetivo de limpar seus pecados antes de poderem entrar no paraíso. A parte final, o "Paraíso", trata sacra, todas as coisas são tratadas da perspectiva de Deus".

Tomás entendia as limitações da razão. Ela é baseada somente no conhecimento sensorial e, conforme dizia, embora possa nos levar a acreditar em Deus, somente a revelação pode apresentar o Deus trino da Bíblia. Somente a revelação pode mostrar plenamente as origens e o destino do homem. Ao usar a revelação e as deduções lógicas baseadas nela, o homem pode construir uma teologia que explica a si mesmo e ao universo.

Os complexos argumentos da Suma teológica mostram a habilidade de Tomás de Aquino com relação ao desenvolvimento de um raciocínio bastante intrincado. Em um primeiro momento, houve bastante oposição às suas idéias. Muitas pessoas não aprovavam a ênfase que os escolásticos davam à razão. Não demorou muito, porém, para que essa e outras obras, como a Suma contra os gentíos — que já causara discussão anteriormente —, se tornassem parte de grande destaque da doutrina da igreja. No Concilio de Trento, o catolicismo usou as obras de Aquino quando dispôs suas forças contra o surgimento do protestantismo.

Embora ele tenha se tornado um dos teólogos, um dos mestres e um dos pregadores da igreja mais proeminente, Aquino continuava sendo um homem humilde. Três meses antes de sua morte, em 1274, anunciou que uma visão celestial lhe mostrara claramente que sua visão teológica "era simplesmente um monte de palha". Ele desistiu de produzir obras teológicas, e a Suma teológica nunca foi concluída.


Fonte: 1991, de de Christian History Institute,Título do original · The 100 most important events in Christian history, edição publicada pela Fleming Η. Revell, um selo da Baker Book House Company
Imagem: Google

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

DEMETER E PERSÉFONE





                              Ceres/Deméter


                                                           CERES/ DEMETER
Artigo sobre Deméter/ Ceres por Rodrigo Lacerda, disponível na Web , este artigo foi extraído do blog:http://www.rodrigolacerda.com.br/ceres-colecao-deuses-da-mitologia



Deméter, a deusa da agricultura, está muito próxima do trono do Olimpo. Ela é irmã de Zeus e sua aliada de primeira hora, nas lutas contra os titãs, que ao serem derrotados abrem caminho para a ascensão da terceira geração dos deuses, e contra os gigantes, que fracassaram ao tentar reestabelecer a antiga ordem no cosmos.
Essa proximidade se reproduz entre Júpiter e Ceres, os equivalentes romanos de Zeus e Deméter.
A principal colaboradora da coleção Deuses da Mitologia, a professora de arqueologia da USP Marlene Suano, mais uma vez nos dá uma “radiografia” completa dessa interessantíssima divindade. Temos aqui todos os atributos e epítetos da deusa, análises de seus principais festivais, de sua origens, amores e ódios.
Ser a deusa da agricultura, para os povos da Antigüidade, era lidar com a sobrevivência imediata de todos. O pão, alimento básico, era chamado de “o presente de Deméter” por ninguém menos que Homero.
E graças aos cereais que ela fazia crescer inventou-se também a cerveja.
E esses são apenas dois exemplos para se avaliar a importância de Deméter-Ceres.
Mas os ciclos naturais – semear, brotar, colher – e os ciclos da vida humana – nascer, crescer, morrer – cruzaram-se nesse mito de maneira muito bela.
Este é o tema essencial do mito da filha de Deméter, Perséfone (ou Proserpina, em Roma), que ao ser raptada pelo rei do mundo dos mortos aceita ser sua rainha e lá morar, subindo à superfície apenas na primavera e no verão para visitar a mãe.
Com isso, o culto a Deméter, além de implicações agrícolas óbvias, das plantações que anualmente nascem e morrem para renascer outra vez, ganha implicacões referentes à vida após a morte, ou à ressurreição. Perséfone é, em última instância, a “semente” da deusa da agricultura.
Neste número temos dois dossiês com imagens clássicas desses mitos na história da arte. O primeiro diz respeito justamente à intensa relação entre Deméter e Perséfone.
O outro, a um segundo mito que envolve a descida de alguém ao Hades, no caso, Orfeu, que desce em busca de sua amada Eurídice.
Esses dois mitos, e também os referentes a Dioniso e Asclépio, outros deuses que também morreram para renascer, são abordados numa brilhante caracterização dos cultos órficos, uma espécie de religião não-oficial na Antigüidade, mas na qual Deméter também desempenhava um importante papel.
Por Rodrigo Lacerda
                                                               PERSÉFONE


  http://yvannasaraiva.blogspot.com/2009/03/persefone.html

Na Grécia antiga, Deméter/ Ceres era responsável por todas as formas de reprodução da vida, mas principalmente da vida vegetal, o que lhe rendeu o título de "Senhora das Plantas", "A Verde", "A que atrai o fruto" e "A que atri as estações". As pessoas a honravam ao usar guirlandas de flores enquanto marchavam pelas ruas, geralmente descalças. Acreditava-se que pisar na terra descalço aumentava a comunicação entre os humanos e a Deusa.                                          




                                         Perséfone




                                                    Por Claude Pouzadoux

Na mitologia grega, Perséfone era filha de Zeus e da deusa Deméter, da agricultura, tendo nascido antes do casamento de seu pai com Hera. Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão.
Hades aproveitou um dia em que Perséfone passeava sozinha. Quando ela se inclinou para aspirar o perfume de uma flor, a terra tremeu com grande estrondo.
Uma falha se abriu bruscamente, e dela surgiu o deus do Inferno, num carro puxado por quatro cavalos negros. A jovem nem teve tempo de se recuperar do susto, porque ele a agarrou pela cintura e a levou consigo. O carro sumiu tão depressa quanto tinha aparecido, e a brecha se fechou atrás deles.
Os gritos desesperados de Perséfone foram ouvidos por sua mãe, Deméter. Ela acudiu, mas tarde demais. Nada assinalava a passagem do deus. Somente o ar agitado conservava o vestígio dessa aparição súbita, e as flores caídas atestavam silenciosas uma agitação recente.
Apavorada, a pobre mãe não sabia mais aonde ia. Errava pelo lugar, esquecendo seus deveres para com os homens. Normalmente, sua função de deusa da colheita, do trigo e de todas as plantas lhe impunha vigiar a produção agrícola.
Na ausência de Deméter, o trigo se recusou a germinar, as plantas cessaram de crescer, e a terra inteira se tornou estéril.
Então os deuses resolveram intervir.O Sol, que tudo viu, revelou a Deméter onde estava sua filha.
A princípio ela ficou aliviada por Perséfone estar viva, mas quando soube quem a detinha, exigiu que Zeus obtivesse sua libertação.
"Entendo sua dor de mãe", o deus lhe respondeu. "Intercederei por você junto a Hades. Ele vai devolver sua filha, ou não me chamo Zeus!"
Mas Hades se negou a deixar a doce companheira partir. Deméter decidiu então abandonar suas funções. Pouco lhe importava como os deuses e os mortais viveriam sem ela.
Ela também não podia viver sem a filha. Assumiu o aspecto de uma velhinha e se exilou
voluntariamente na terra.
Iniciou-se então um período cruel para os homens. De novo o solo secou, e a fome ameaçou a espécie humana.
Essa situação não podia mais persistir. Os deuses se reuniram no palácio de Zeus e concordaram em persuadir Hades a devolver Perséfone à mãe.
Zeus tomou a palavra: "Caro irmão, você é o soberano do reino subterrâneo. Como tal, age de acordo com a sua vontade, contanto que não se meta neste mundo.
Ora, desde que você reteve Perséfone, sua mãe recusa alimento aos mortais. Pela mesma razão, os sacrifícios se fazem raros. Você não pode deixar essa situação se agravar. Devolva a moça!" "Está bem!", disse o deus esperto. "Mas antes preciso verificar se ela não comeu ou bebeu alguma coisa durante sua estada, senão ela não pode mais voltar à terra. E a lei."
Interrogada, Perséfone respondeu com candura que tinha experimentado as sementes de uma romã. Hades exultou. Mas acabaram fazendo um trato:
Deméter teve que aceitar que sua filha permanecesse três meses ao lado de Hades e subisse para ficar com ela o resto do ano.
Assim é que, durante três meses, a terra se entristece, junto com Deméter, pela
ausência de Perséfone.

E o inverno, e o solo se torna improdutivo. Logo que a moça volta, a vida renasce, e a natureza inteira festeja o encontro entre mãe e filha. Somente Hades acha demorada essa primavera que o separa de sua companheira.
 

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega / Claude Pouzadoux;ilustrações de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo: Companhia das Leiras, 2001
Imagem: Google.






                                                                   PERSÉFONE

HADES E SEU REINO


                                                            O império dos mortos - Tartaro

No limite da terra, onde o sol se põe e o oceano começa, abria-se o império dos mortos, no qual reinava o poderoso Hades.
O mundo subterrâneo era rodeado de todos os lados por pântanos e rios. Portanto,as sombras dos defuntos tinham que passar pelas águas lamacentas do Estige e do Aqueronte para entrar nos domínios de Hades.
O barqueiro Caronte aguardava na margem e só aceitava a bordo da sua barca os mortos que tivessem sido sepultados. Os outros, os que não foram encontrados ou foram abandonados, eram condenados a errar eternamente na
entrada do Inferno, enquanto esperavam que um vivo resolvesse enterrá-los.
Aqueles que embarcavam tinham que pagar Caronte.
 Era por isso, para que o morto pagasse sua passagem, que os gregos punham uma moeda entre os dentes dele durante o funeral.
Uma vez na barca, os defuntos deixavam definitivamente o mundo dos vivos.
Quem fazia a viagem num sentido, jamais podia retornar nem ver de novo a luz. Cérbero, o cão de três cabeças, tratava de impedir os que tentassem fazê-lo.
 Postado na entrada do reino, recebia com amabilidade os passageiros de Caronte. Mas se alguém procurasse voltar, mostrava-se um guardião feroz. Ora, mais de um defunto aspirava à luz logo que desembarcava na monótona planície dos Asfódelos. Arvores sombrias var riam tristemente o chão com seus galhos.
 Que lugar sinistro! Os mortos eram julgados de acordo com sua vida passada e, conforme seus erros, eram postos em diferentes lugares. Minos, Éaco e Radamanto é que examinavam a vida passada dos defuntos e pronunciavam um julgamento. Eles haviam sido designados juizes por sua sabedoria e vida exemplar.
Os que não cometeram nenhum crime mas não se distinguiram por nenhuma ação virtuosa, ficavam na planície dos Asfódelos por toda a eternidade.
Aos heróis e aos homens virtuosos, os juizes reservavam os Campos Elísios. Lá se estendiam clareiras floridas das quais se elevava o canto dos pássaros e os acordes melodiosos da lira.

                                                                             O Deus Hades


Os bem-aventurados se divertiam em banquetes onde o vinho corria à larga.
Já os desgraçados que foram culpados de algum erro, recebiam punição eterna. Eram encerrados no soturno Tártaro, cercado pelos meandros do rio Estige, e lá sofriam suplícios proporcionais a suas faltas.
Tântalo, rei da Lídia, cometera em vida um crime horrível. Recebendo a visita dos deuses, servira-lhes seu próprio filho Pélope, a fim de ver se eles eram capazes de identificar a carne humana.
 Um só bocado bastou para que os deuses reconhecessem que o que comiam não era um animal. Indignados, conseguiram trazer Pélope de volta à vida, mas o rapaz guardou para sempre um vestígio desse banquete funesto: o ombro devorado foi substituído por um pedaço de marfim.
Quanto a Tântalo, foi atirado nas profundezas do Tártaro para sofrer uma punição terrível.
Mergulharam-no até o pescoço num lago, debaixo de uma árvore com galhos carregados de frutas maduras.
Apesar disso, ele nunca saciaria sua sede nem mataria sua fome.
A água recuava, mal ele aproximava os lábios secos. Quando estendia a mão para colher uma fruta, os galhos se erguiam. Numerosos supliciados povoavam assim essa parte do reino.
Hades era o soberano onipotente de lá, porém não demorou para que o poder
deixasse de compensar sua profunda solidão.
Cansado de reinar sozinho sobre aquele povo de sombras, quis se casar. Infelizmente, as noivas eram muito raras. Nenhuma deusa e nenhuma mortal queriam adotar aquela vida debaixo da terra, privada para todo o sempre da luz do sol. Logo, ele se viu obrigado a raptar uma noiva. Sua escolha recaiu em Perséfone, uma das moças mais bonitas da Sicília.

 


                                                               Caronte

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega / Claude Pouzadoux;ilustrações de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo: Companhia das Leiras, 2001
Imagem: Google

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Origem e a História Primitiva do Coliseu

 
 A memória do imperador Augusto é cara aos romanos. Por seu grande talento e habilidade, ele não apenas conquistou para si o cetro do poder supremo, mas também elevou o próprio Império dentre as nações do mundo, e iniciou o período conhecido como idade de ouro. Suas virtudes naturais mostram um agradável contraste com a devassidão e os vícios de seus sucessores imediatos.
A ele deve-se a honra de haver planejado a construção do anfiteatro. Havendo embelezado a cidade com casas de banhos e templos de insuperável magnificência, ele concebeu a idéia de erigir um imenso anfiteatro para os espetáculos gladiatórios, que deveria exceder em dimensão e esplendor todos os edifícios do mundo. 
A morte levou-o antes que pudesse realizar seu grande projeto.
Os anos passaram, e sete imperadores, que não tiveram nem energia nem talento para executar o imenso empreendimento, sentaram-se no trono de Augusto.
Contudo, ele não foi esquecido, e o clamor do povo pelo início da construção foi ouvido por Vespasiano.
A este empreendedor soberano deve-se a edificação desta maior obra da antigüidade, que é atualmente a maior ruína do mundo.
 Vespasiano era orgulhoso e ambicioso; buscava rivalizar a fama de Augusto, e no segundo ano de sua elevação ao trono, iniciou a construção do Coliseu. Isto foi no ano 72 de Nosso Senhor. 
Ele morreu antes que a obra fosse terminada, e embora houvesse mais de trinta mil pessoas trabalhando constantemente, oito anos foram necessários para a sua edificação, e ela foi dedicada por Tito, no ano 80 de nossa era.
A construção não foi perfeitamente completada até o reinado de Domiciano. 
O estupendo edifício foi erigido no lugar de um viveiro de peixes, nos jardins de Nero. 
Edificado no meio das sete colinas, e bem no coração da antiga cidade, ele não apenas superou em imensidão e magnificência os outros dois anfiteatros de mármore que havia em Roma, mas excedeu em brilho a esplendorosa casa dourada de Nero. 
Tanto Vespasiano como Tito valeram-se da experiência de suas viagens ao oriente, para fundir nos esboços do anfiteatro toda a ousadia e majestade da arquitetura síria e egípcia, com a beleza e o refinamento da arte grega.
A sua imensidão, mesmo em suas ruínas, é surpreendente, enquanto suas arcadas erguem-se em incríveis proporções umas sobre as outras, nas ordens jônica, dórica e coríntia. 
O tamanho, a beleza e a força combinaram se para fazê-lo o maior, o mais belo e mais durável dos monumentos antigos.
 Erguendo-se para o ar, tão alto quanto os montes Palatino e Célio, uma montanha no lado de fora e um vale dentro, ele supera, inquestionavelmente, qualquer coisa que a Grécia, o Egito ou Roma tenham visto antes.
Marcial, o poeta, que o viu surgir de sua fundação, declara que Roma não mais teve o que invejar no Oriente, uma vez que o seu soberbo anfiteatro era mais maravilhoso que as pirâmides de Memphis ou as obras da Babilônia.
Até os críticos mais aprovados definem o Coliseu como um edifício oriental vestido num traje grego. 
As maiores obras do homem têm geralmente a sua origem na destruição. 
Na história do mundo, raramente houve um edifício ou uma nação que não fosse edificado sobre as ruínas de outro.
Os operários do Coliseu foram os judeus cativos, que adornaram o triunfo de Tito; o material foi parcialmente retirado da casa tombada de Nero. 
Os cristãos podem enxergá-lo como um poderoso monumento erguido em comemoração ao cumprimento da profecia.
O arado passara sobre a cidade e o templo de Jerusalém; seu povo orgulhoso fora humilhado ao pó, e espalhado aos quatro ventos do céu.
Setenta mil de sua nação derrotada foram levados a Roma por Tito. 
Havendo-lhe ornado o triunfo, foram eles divididos em três classes: as mulheres e as crianças de até dezesseis anos foram vendidas como escravos pelos preços mais miseráveis. O Senhor Jesus foi vendido por trinta moedas de prata; após o triunfo de Tito, podia-se comprar trinta judeus por apenas uma dessas moedas.
Alguns dos homens foram enviados ao Egito para trabalhar nas marmoreiras, mas a grande maioria ficou para trabalhar no Coliseu.
O número é variavelmente estimado entre trinta mil e cinqüenta mil. Assim, os muros daquele poderoso emblema de tudo o que há de triste e horrível foram cimentados com as lágrimas de um povo decaído. 
As estruturas superiores do Coliseu foram construídas com o materiallevado da casa tombada dos césares na Palestina.
Quando Vespasiano e Tito ordenaram a destruição de grande parte da casa de Nero, efetuaram um ato muito prazeroso ao povo romano. 
Era um monumento de detestável esplendor, que se erguera sobre as ruínas de sua cidade queimada; a sua riqueza e grandeza só faziam recordar ao povo a tirania e a opressão.
 Nem bem a ordem fora dada, o populacho ajuntou-se na obra de devastação. Imensos blocos de travertino dourado, colunas, capitéis, e cornijas de mármore dos mais elaborados entalhes, junturas de ferro e de ouro, e massas indestrutíveis de alvenaria, foram rude e indiscriminadamente arrastados para ornamentar ou completar a vasta obra do Coliseu.
 O poderoso anfiteatro tomar-se-ia uma ruína; após o lapso dos séculos, seria derrubado pela mão do tempo, e por sua vez, forneceria material de seus arcos caídos para a construção dos palácios medievais e modernos da Cidade Eterna.
O imenso palácio quadrilátero da embaixada veneziana, o Farnese, o Barberini, e outros de menor importância, brotaram das ruínas do Coliseu.
É assim na história do homem: os maiores monumentos de esplendor moderno surgiram, à semelhança de Fênix, das ruínas de uma poderosa estrutura que nossos antepassados presunçosamente imaginaram imperecível.

 
Devemos agora ter uma visão do anfiteatro em seu perfeito estado. Fragmentos de descrição foram coletados dos historiadores antigos, e o quadro está quase completo. Partindo do modo como as ruínas se encontram agora, a fantasia pode preencher muitos detalhes. Ele possui uma bela figura oval, 155 metros de comprimento e 36 metros de largura.

Foi erguido sobre oitenta arcadas imensas, e eleva-se em quatro ordens sucessivas de arquitetura à altura de 49 metros.
Na sua totalidade, o edifício cobre um espaço de 24.000 m2. Por fora, era incrustado com mármore e decorado com estátuas.
As rampas da vasta concavidade que formava o interior eram repletas com sessenta ou oitenta fileiras, dispostas em roda, de assentos de mármore cobertos com almofadas, capazes de acomodar facilmente 100.000 espectadores.
Sessenta e quatro vomitórios (as portas de saída eram apropriadamente conhecidas por este nome) davam saída à colossal multidão; as entradas, as passagens, e as escadarias foram planejadas com tal destreza, que cada pessoa, fosse da ordem senatorial, dos cavaleiros, ou dos plebeus, chegava ao lugar que lhe era destinado sem problemas ou confusão.
  A fileira de assentos mais baixa, próxima à arena, agora completamente coberta por terra e entulhos, designada aos senadores e embaixadores estrangeiros, era chamada de podium. Numa plataforma elevada estava o trono do imperador, sombreado por um palio carmesim, como uma tenda.
O lugar dos administradores ou organizadores dos jogos, como eram chamados, e das virgens vestais, ficava ao lado do assento do imperador.
O podium era protegido contra a irrupção dos animais selvagens por uma barreira, ou parapeito, de ouro ou bronze dourado. 
Como uma defesa adicional, a arena era cercada com uma grade de ferro e um canal. 
Os éqüites, ou segunda ordem de nobres, sentava-se em quatorze fileiras atrás dos senadores.
O restante do povo acomodava-se atrás, nos assentos chamados de popularia, que se elevava em bancada sobre bancada, até uma galeria com uma colunata em frente, circundando todo o anfiteatro logo abaixo do toldo, e geralmente ocupada Por mulheres, soldados e serventes.
Nada se omitia do que pudesse ser útil à conveniência e ao prazer dos espectadores.

O enorme dossel ou toldo, que às vezes era estendido sobre toda a extensão, oferecendo proteção contra o sol ou a chuva, era uma das maravilhas do Coliseu.
Faz-se necessária uma esticada na imaginação para acreditar. 
Quando nos colocamos, mesmo agora, em meio às ruínas, e vemos a vasta amplidão do céu sobre nós, a mente perde-se em dúvidas e conjecturas sobre a possibilidade de um fato tão prodigioso. 
Não obstante, todos os historiadores que escreveram sobre o Coliseu mencionam esta cobertura, como se nela nada houvesse de extraordinário.
Lampridio relata que era preciso várias centenas de homens para lidar com este toldo, e que eles vestiam-se de marinheiros.
A um sinal, quando havia ameaça de chuva, ou o sol estava quente demais, havia um movimento simultâneo entre os atendentes; então as cordas rangiam, e a poderosa vela deslizava gradativamente para o centro, todas as velas reunindo-se em perfeita harmonia, e formando juntas o imenso lençol que cobria completamente o interior. 
Permanece estranho o fato de que no tempo de Tito esse dossel fosse de seda púrpura, e debruado de ouro.
O ar era constantemente refrescado pelas fontes, e uma infinidade de pequenos tubos aspergiam um chuvisco dos mais deliciosos perfumes, que descia sobre os espectadores como orvalho aromático.
A arena, em cujo centro achava-se a estátua de Júpiter, formava o palco.
Ela recebeu este nome por ser usualmente esparzida com a mais fina areia branca. 
Por baixo, havia um mecanismo do mais extraordinário e complicado caráter, que facultava à arena, durante os jogos, assumir diferentes formas, em rápidas sucessões. 
Numa ocasião, ela parecia subir da terra como o jardim das Hespérides; noutra, transformada em rochas e cavernas de Trácia.
Canos subterrâneos transportavam um inexaurível suprimento de água, e o que minutos antes parecia uma planície, podia repentinamente converter-se em um vasto lago, coalhado de navios armados, para deleitar o povo com entretenimentos náuticos.

Fonte :Publicado originalmente em inglês em 1874 como History ofthe Coliseum and Its Martyrs.Tradução: Marta Doreto de Andrade;preparação de originais: Isael de Araújo;capa e projeto gráfico: Alexander Diniz; Editoração: Leonardo Marinho
Imagem: Google

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

OS AMORES DE ZEUS





O rei dos deuses não se dedicava apenas a desgraçar os homens. Também procurava  fazer as mortais felizes, sobretudo aquelas que lhe agradavam... e foram muitas.  Embora fosse casado com a deusa Hera, Zeus teve inúmeras aventuras amorosas. Sua legítima esposa era ciumentíssima e não gostava nem um pouco das escapulidas do marido. Quando vinha a saber que ele tinha ido visitar uma mortal, ficava louca de raiva. Sua cólera só se aplacava quando ela se vingava da mortal ou dos filhos que essa mulher tivera com o deus. Hera estava sempre de olho em Zeus, que fazia de tudo para escapar à sua vigilância.
Zeus gostava de assumir a aparência de algum bicho a fim de evitar a desconfiança de suas bonitas vítimas. Usou dessa artimanha para se aproximar da bela Leda. A jovem acabara de se casar com Tíndaro, rei da Lacedemônia. Zeus se transformou em cisne  e, fingindo-se perseguido por uma águia, refugiou-se junto da jovem rainha, que o  acolheu em seus braços. Aproveitando-se dessa terna proteção, ele se uniu a ela e lhe  deixou dois ovos de tamanho incomum. De um nasceram dois gêmeos, Castor e Póluxdo outro, duas irmãs, Clitemnestra e Helena. Essa união permaneceu secreta, e Tíndaro acreditou que tinha dado quatro filhos à sua jovem esposa. Os filhos nascidos das uniões passageiras de Zeus com as mortais tiveram um destino bem particular. Alguns conquistaram grande poder, como Minos, que se tornou um dos três juizes do Inferno.

A mãe de Minos era humana e se chamava Europa. Zeus tinha visto a moça quando ela jogava bola com as amigas à beira-mar. Impressionado com a delicadeza da sua silhueta e com a pureza de seus traços, não resistiu ao desejo de conhecê-la melhor. Não longe dali, pastavam touros novos. Ele se misturou ao rebanho na forma de um touro ainda mais bonito que os outros, notável por sua brancura e pelo vigor dos músculos.
Europa ficou encantada com o esplendor do animal e a ternura do seu olhar. Sem medo do tamanho do touro, ela se aproximou dele, acariciou-o demoradamente e, confiante, montou nele. Nesse momento, o deus a raptou diante dos olhares impotentes das outras moças e a carregou pelos ares, acima do mar. O casal desapareceu no horizonte. Conta-se que Zeus levou Europa a Creta, onde ela deu à luz Minos. Quando estava na terra, Zeus nunca se mostrava em sua forma divina. Somente uma vez desobedeceu a essa regra.
Tinha seduzido Sêmele, filha de Cadmo, rei de Tebas. A jovem mulher só se  encontrava com ele à noite, portanto não conhecia a fisionomia do amante. Ela sabia que Zeus era um deus porque ele lhe sussurrara isso mais de uma vez. Hera, morrendo de ciúme ao ver o divino esposo apaixonado por uma mortal novamente, armou uma cilada para a rival.

Foi ter com Sêmele, sob a aparência de uma velhinha: "Minha filha, peça-lhe como prova de amor que ele se mostre tal como é nos céus ao lado da esposa. Assim, você terá certeza de não ter sido enganada por um impostor." Essas palavras fizeram a dúvida surgir no coração da jovem. Ela quis ver o amante e pediu que ele lhe fizesse um favor, mas não disse qual era. O deus aquiesceu, e quando soube do que se tratava, era tarde demais: dera sua palavra. Tentou então desencorajar a moça. Em vão. Quanto mais procurava dissuadi-la, mais ela insistia. Obrigado a cumprir o que prometera, ele se revelou em toda a sua potência, resplandecendo em relâmpagos. Ora, nem os olhos nem o corpo de uma mortal eram capazes de suportar o brilho daquela luz tão viva, e a infeliz nem teve tempo de entender isso: pereceu imediatamente, fulminada.
Acontece que Sêmele estava no sexto mês de gravidez, e Zeus se apressou a salvar o
filho que ela trazia no ventre. Para dar continuidade à gestação, o deus abriu, na própria
coxa, uma bolsa e nela colocou a criança. Depois, fechou-a com grampos de ouro. Quando
o tempo fixado pelo destino chegou a seu termo, Zeus deu à luz Dioniso. Embora nascido
de uma mãe mortal, o menino, por causa do pai, era imortal.

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega/ Claude Pouzadoux; ilustraçoes de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. - São Paulo: Companhia das Leiras, 2001.
Imagem: Google