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A SAGA DE MOISÉS POR LUCIANO DUDU

EU RECOMENDO - EXPURGO DE FLÁVIA NEVES

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

OS DOZE GRANDES DEUSES

Procurou-se estabelecer uma hierarquia, distinguindo os doze grandes deuses olímpicos que, no famoso monumento do Louvre conhecido com o nome de Altar dos doze deuses, figuram em parelhas. Estão colocados na seguinte ordem, quatro em cada uma das três faces.
                                       Zeus
O primeiro grupo representa Júpiter (Zeus), armado do raio e coberto por um manto que lhe deixa nus o peito e o braço direito. O rei dos deuses está de frente e volta a cabeça para o lado da esposa, Juno (Hera).

                                                     Hera
Esta empunha um longo cetro e segura com a mão esquerda o véu, emblema das mulheres casadas. O véu, preso ao diadema da deusa, cai-lhe sobre as costas e cobre somente a parte posterior da cabeça. Netuno e Ceres, o deus dos mares e a deusa da terra, formam o grupo seguinte.
                                        Netuno

Netuno está vestido da mesma maneira que Júpiter e caracterizado pelo tridente.


                                              Ceres

Ceres, posta na frente dele, segura na mão um ramalhete de espigas 
A face seguinte começa com Apolo e Diana (Artêmis).


                                               Apolo

Apolo, inteiramente vestido, tem na mão direita o plectro, enquanto a esquerda segurava provavelmente uma lira. Mas as pernas e a mão direita são as únicas antigas, e o escultor encarregado de restaurar a figura, ignorando-lhe a representação, fez dela uma mulher, o que já não tem sentido. 

Diana
Também alongou consideravelmente o arco de Diana, que era muito menor, e não compreendeu o movimento da mão direita, com a qual, sem dúvida nenhuma, a deusa tirava uma flecha da aljava. e que é Vulcano (Ephaistos), posto em frente de Minerva (Atenas).

                                      Vulcano

Vulcano estava, no entanto, muito bem caracterizado pela tenaz de ferreiro segura pela mão direita, e que é antiga.


                                           Minerva

Minerva, que segura a lança e o escudo, possui também algumas partes mais recentes, mas sofreu muito menos, com a restauração, do que as figuras precedentes Marte (Ares) e Vênus (Afrodite) são os primeiros na terceira face.

                                                   Marte
Marte empunha uma lança e um escudo; talvez nos surpreenda achar num monumento grego certos pormenores que pertencem aos costumes romanos, mas o capacete e os frisos da couraça são restaurações efetuadas nos últimos séculos. O deus da guerra fita a esposa, Vênus, vestida de um manto talar e de uma mantilha, e que segura com a mão esquerda uma pomba, ave que lhe é consagrada.

                                                 Afrôdite


Mercúrio (Hermes) e Veste (Héstia) terminam a série dos doze grandes deuses.

                                                Hermes


                                                  Héstia 


Mercúrio, caracterizado pelo caduceu, traz uma barba pontiaguda e cabelos trançados, segundo o uso do período arcaico. Vemo-lo de frente, e aos calcanhares se lhe prendem duas grandes asas. Volta a cabeça para o lado de Vesta cujo costume não difere em nada do que distingue Juno, no mesmo monumento o altar dos doze deuses, apesar das deploráveis restaurações que desnaturaram o caráter de certas figuras, é um dos monumentos antigos mais preciosos para a arqueologia. A escultura, de relevo pouquíssimo saliente, pertence ao estilo mais antigo. Os deuses estão representados em atitude rígida e, às vezes, de pernas apertadas, segundo uma velha crença pela qual caminham apenas roçando o chão e sem necessidade de mover os membros inferiores. Os dedos alongadíssimos das deusas e as pregas simétricas das vestes constituem também um sinal de grande antiguidade. Contudo, o trabalho do cinzel denota uma liberdade que está em desarmonia com os modos arcaicos do estilo, e alguns arqueólogos crêem que o monumento deve ser uma imitação, executada em época muito posterior, de um altar venerado e de data muitíssimo mais antiga. 
A ordem na qual se acham os deuses no altar dos doze deuses repete-se identicamente no altar redondo do museu capitolino em Roma, mas é outra no altar astrológico de Gábies, mais conhecido com o nome de Mesa dos doze deuses. Esse monumento, que se encontra no Louvre, e que pertence à época romana, é uma espécie de mesa circular, no meio da qual deve ter havido um quadrante solar. Em torno da mesa, as cabeças das doze divindades do Olimpo estão esculpidas num relevo pronunciadíssimo,e apresentam-se na seguinte ordem: Júpiter, caracterizado pelo raio, está situado entre Minerva e Vênus. Esta, diademada, está unida a Marte, seu marido, pelo Amor que a ambos enlaça com os pequeninos braços; mas o Amor só aparece aqui como emblema qualificados da união de Marte e Vênus, pois nunca figurou entre os doze grandes deuses. Depois de Marte vem Diana, cuja aljava entrevemos e, em seguida, Ceres e Vesta, que está ao lado de Mercúrio, caracterizado pelo caduceu. A figura seguinte é Vulcano, reconhecível pelo gorro redondo; segue-se o Netuno, cujo tridente está colocado à esquerda, depois Juno e Apolo, posto à esquerda de Minerva, o que termina a série dos doze grandes deuses. Como os doze sinais do zodíaco formam o contorno da mesa, que continha um quadrante solar, houve quem acreditasse estarem ali os deuses para presidir uma das doze horas do dia, ou um dos doze meses do ano. 
                                              Baco

Há, todavia, deuses que aqui não figuram e cujo poder não é absolutamente inferior ao dos grandes deuses. Baco e Hércules têm grandíssima importância mitológica, e Baco, notadamente, é talvez o deus que mais aparece nos monumentos figurados. Enfim, há todo o grupo de deuses e semideuses os quais, na maior parte do tempo, são uma pequena divindade local, cujo culto não logrou extensão, ou heróis divinizados. Possuem estes no céu uma importância aproximadamente análoga à das santos no cristianismo e cada um deles tem devotos que o invocam preferivelmente. 
Os deuses têm geralmente uma esfera de ação particular a cada um deles, de sorte que podemos classificá-los segundo a natureza do seu poder que se exerce no céu, na terra, nas águas, no fogo ou no inferno. Mas, com exceção de Júpiter que os domina todos, os deuses, embora desiguais no poder, não estão subordinados um ao outro, e um deus nunca desfaz o que faz outro. Ademais, os deuses nunca se criticam, com exceção de Momo, personificação da crítica impotente e irônica. Segundo Hesíodo, Momo é filho da Noite, mas não tem na mitologia história propriamente dita. Se, porém, nada faz por si próprio, passa o tempo em críticas às obras dos outros deuses, e às vezes com boa dose de espírito. De acordo com a sua opinião, nada foi feito de maneira conveniente. Os cornos do touro deveriam ter sido colocados mais perto dos olhos, para que ele pudesse ao menos dirigir os golpes; o homem deveria dispor de uma janelinha a abrir-se para o coração, para que se lhe pudessem ler os verdadeiros pensamentos, etc. Momo, depois de examinar Vênus, só conseguiu criticar-lhe o calçado e, par causa disso, morreu de despeito. 

Fonte : Ménard, Rene , 1827-1887. Mitologia Greco romana / Rene Menard: tradução Aldo Della Nina – São Paulo: opus, 1991 
Imagem : Google. 


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

325 DC - O CONCILIO DE NICÉIA



Embora Tertuliano tivesse outorgado à igreja a idéia de que Deus é uma única substância e três pessoas, de maneira alguma isso serviu para que o mundo tivesse compreensão adequada da Trindade. O fato é que essa doutrina confundia até os maiores teólogos.
Logo no início do século IV, Ario, pastor de Alexandria, no Egito, afirmava ser cristão, porém, também aceitava a teologia grega, que ensinava que Deus é um só e não pode ser conhecido. De acordo com esse pensamento, Deus é tão radicalmente singular que não pode partilhar sua substância com qualquer outra coisa: somente Deus pode ser Deus. Na obra intitulada Thalia, Ario proclamou que Jesus era divino, mas não era Deus. De acordo com Ario, somente Deus, o Pai, poderia ser imortal, de modo que o Filho era, necessariamente, um ser criado. Ele era como o Pai, mas não era verdadeiramente Deus.
Muitos ex-pagãos se sentiam confortáveis com a opinião de Ario, pois, assim, podiam preservar a idéia familiar do Deus que não podia ser conhecido e podiam ver Jesus como um tipo de super-herói divino, não muito diferente dos heróis humanos-divinos da mitologia grega.
Por ser um eloqüente pregador, Ario sabia extrair o máximo de sua capacidade de persuação e até mesmo chegou a colocar algumas de suas idéias em canções populares, que o povo costumava cantar.
"Por que alguém faria tanto estardalhaço com relação às idéias de Ario?", muitas pessoas
ponderavam. Porém, Alexandre, bispo de Ario, entendia que para que Jesus pudesse salvar a humanidade pecaminosa, ele precisava ser verdadeiramente Deus. Alexandre conseguiu que Ario fosse condenado por um sínodo, mas esse pastor, muito popular, tinha muitos adeptos. Logo surgiram vários distúrbios em Alexandria devido a essa melindrosa disputa teológica, e outros clérigos começaram a se posicionar em favor de Ario.
Em função desses distúrbios, o imperador Constantino não podia se dar ao luxo de ver o episódio simplesmente como uma "questão religiosa". Essa "questão religiosa" ameaçava a segurança de seu império. Assim, para lidar com o problema, Constantino convocou um concilio que abrangia todo o império, a ser realizado na cidade de Nicéia, na Ásia Menor.
Vestido com roupas cheias de pedras incrustadas e multicoloridas, Constantino abriu o concilio. Ele disse aos mais de trezentos bispos que compareceram àquela reunião que deveriam resolver o impasse. A divisão da igreja, disse, era pior do que uma guerra, porque esse assunto envolvia a alma eterna.
O imperador deixou que os bispos debatessem. Convocado diante dos bispos, Ario proclamou abertamente que o Filho de Deus era um ser criado e, por ser diferente do Pai, passível de mudança. A assembléia denunciou e condenou a afirmação de Ario, mas eles precisavam ir além disso. Era necessário elaborar um credo que proclamasse sua própria visão. Assim, formularam algumas afirmações sobre Deus Pai e Deus Filho. Nessas declarações, O concilio de Nicéia descreviam o Filho como "Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstanciai com o Pai".
A palavra "consubstancial" era muito importante. A palavra grega usada pelos conciliares foi
homoousios. Homo quer dizer "igual"; ousios significa "substância". O partido de Ario queria
acrescentar uma letra a mais àquela palavra: homoiousios, cujo significado passaria a ser "de substância similar". Com exceção de dois bispos, todos os outros assinaram a declaração de fé. Esses dois, com Ario, foram expulsos. Constantino parecia satisfeito com o resultado de sua obra, mas isso não durou muito tempo. Embora Ário tivesse ficado temporariamente fora do cenário, sua teologia permaneceria por décadas. Um diácono de Alexandria chamado Atanásio tornou-se um dos maiores opositores do arianismo. Em 328, Atanásio tornou-se bispo de Alexandria e continuou a lutar contra aquela facção.
No entanto, a guerra continuou na igreja do Oriente até que outro concilio, realizado em Constantinopla, no ano 381, reafirmou o Concilio de Nicéia. Ainda assim, traços dos pensamentos de Ario permaneceram na igreja.
O Concilio de Nicéia foi convocado tanto para estabelecer uma questão teológica quanto para servir de precedente para questões da igreja e do Estado. A sabedoria coletiva dos bispos foi consultada nos anos que se seguiram, quando questões espinhosas surgiram na igreja. Constantino deu início à prática de unir o império e a igreja no processo decisorio. Muitas conseqüências perniciosas seriam colhidas nos séculos futuros dessa união.

Fonte: 1991, de de Christian History Institute,Título do original · The 100 most important events in Christian history, edição publicada pela Fleming Η. Revell, um selo da Baker Book House Company
Imagem: Google

312 DC - O IMPÉRIO ROMANO CONVERTE AO CRISTIANISMO



A CONVERSÃO DE CONSTATINO

Era o mês de outubro do ano 312. Um jovem general, a quem todas as tropas romanas da Bretanha e da Gália eram fiéis, marchava em direção a Roma para desafiar Maxêncio, outro postulante ao trono imperial. Segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual podia ler: "Com isto vencerás". O supersticioso soldado já estava começando a rejeitar as divindades romanas a favor de um único Deus. Seu pai adorava o supremo deus Sol. Seria um bom presságio daquele Deus na véspera da batalha? Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas chi (c) e rho (r), as duas primeiras letras da palavra Christos. O general foi instruído a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, o que fez prontamente, da forma exata como fora ordenado.
Conforme prometido, Constantino venceu a batalha. Esse foi um dos diversos momentos marcantes do século IV, um período de violentas mudanças. Se você tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver anos no deserto, quando voltasse certamente esperaria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de perseguição. Em vez disso, o cristianismo se tornou a religião patrocinada pelo império. Depois de ter tomado o poder em 284, Diocleciano, um dos mais brilhantes imperadores romanos, começou uma enorme reorganização que afetaria as áreas militar, econômica e civil.
Durante certo período de tempo, ele deixou o cristianismo em paz. Uma das grandes idéias de Diocleciano foi a reestruturação do poder imperial. Dividiu o império em Oriente e Ocidente, e cada lado teria um imperador e um vice-imperador (ou césar). Cada imperador serviria por vinte anos e, a seguir, os césares assumiriam também por vinte anos e assim
por diante. No ano 286, Diocleciano indicou Maximiano imperador do Ocidente, enquanto ele mesmo continuava a governar o Oriente. Os césares eram Constancio Cloro (pai de Constantino) no Ocidente e Galério no Oriente.
Galério era radicalmente anticristão (há informações que ele atribuiu a perda de uma batalha a um soldado cristão que fez o sinal da cruz). É bem provável que o imperador do Oriente tenha assumido posições anticristãs por instigação de Galério. Tudo isso era parte da reorganização do império, de modo que a lógica era a seguinte: Roma tinha uma moeda única, uní sistema político único e, portanto, deveria ter uma única religião; os cristãos, porém, estavam em seu caminho. A partir do ano 298, os cristãos foram retirados do exército e do serviço civil. Em 303, a grande perseguição teve início. As autoridades planejaram impor severas sanções sobre os cristãos, que começariam a ser implantadas na Festa da Termi-nália, em 23 de fevereiro. As igrejas foram arrasadas, as Escrituras confiscadas, e as reuniões proibidas. No início, não houve derramamento de sangue, mas Galério logo se encarregou de mudar essa situação. Quando Diocleciano e Maximiano deixaram seus postos (de acordo com o planejado), em 305, Galério desencadeou uma perseguição ainda mais brutal. De modo geral, Constantino, que governava o Ocidente, era mais indulgente. Porém, as histórias de horror do Oriente eram abundantes. Até o ano 310, a perseguição tirou a vida Busto do imperador Constantino de muitos cristãos. Contudo, Galério foi incapaz de esmagar a igreja. Estranhamente, em seu leito de morte, ele
mudou de idéia. Em outro grande momento, no dia 30 de abril de 31 1, o feroz imperador desistiu de lutar contra o cristianismo e promulgou o Édito de Tolerância. Sempre político, insistiu em que fizera tudo para o bem do império, mas que "grande número" de cristãos "persiste em sua determinação". Desse modo, agora era melhor permitir que eles se encontrassem livremente, contanto que não atentassem contra a ordem pública. Além disso, declarou: "Será tarefa deles orar ao seu Deus em benefício de nosso Estado". Roma precisava de toda a ajuda que pudesse obter. Galério morreu seis dias depois. O grande plano de Diocleciano, no entanto, começava a ruir. Quando Constancio morreu, no ano 306, seu filho Constantino foi proclamado governador por seus soldados leais. Maximiano, porém, tentou sair do exílio e governar o Ocidente outra vez com o filho, Maxêncio (que terminou tirando o próprio pai do poder). Enquanto isso, Galério indicava um general de sua confiança, Licínio, para governar o Ocidente. Cada um desses futuros imperadores reivindicava um pedaço do território ocidental. Eles teriam de lutar por ele. Constantino, de maneira astuta, forjou uma aliança com Licínio e lutou contra Maxêncio. Na batalha da Ponte Mílvia, Constantino saiu vitorioso. Naquele momento, Constantino e Licínio montaram um delicado equilíbrio de poder. Constantino estava ansioso para agradecer a Cristo por sua vitória e, desse modo, optou por dar liberdade e status à igreja. No ano 313, ele e Licínio emitiram oficialmente o Edito de Milão, garantindo a liberdade religiosa dentro do império. "Nosso propósito", dizia o édito, "é garantir tanto aos cristãos quanto a todos os outros a plena autoridade de seguir qualquer culto que o homem desejar".
Constantino, imediatamente, assumiu o interesse imperial pela igreja: restaurou suas propriedades, deu-lhe dinheiro, interveio na controvérsia donatista e convocou os concilios eclesiásticos de Arles e de Nicéia. Ele também fazia manobras para obter poder sobre Licínio, a quem finalmente depôs, em 324.
Assim, a igreja passou de perseguida a privilegiada. Em um período de tempo surpreendentemente curto, suas perspectivas mudaram por completo. Depois de séculos como movimento contracultural, a igreja precisava aprender a lidar com o poder. Ela não fez todas as coisas de maneira correta. A própria presença dinâmica de Constantino modelou a igreja do século IV, modelo que ela adotou daí em diante. Ele era um mestre do poder e da política, e a igreja aprendeu a usar essas ferramentas.
A visão de Constantino foi autêntica ou ele foi apenas um oportunista, que usou o cristianismo para benefício próprio? Somente Deus conhece a alma. Embora tenha falhado na demonstração de sua fé em várias ocasiões, o imperador certamente assumiu um interesse ativo no cristianismo que professava, chegou até mesmo a correr risco pessoal em certos momentos.  Certo que Deus usou Constantino para fazer com que as coisas acontecessem para a igreja. O imperador afirmou e assegurou a tolerância oficial à fé. Ao fazer isso, porém, ele seguiu os passos do moribundo Galério. Assim, a batalha contra a perseguição romana foi vencida, em certo sentido, não na ponte Mílvia, mas nas arenas em que os cristãos entraram para enfrentar bravamente a morte.


Fonte: 1991, de de Christian History Institute,Título do original · The 100 most important events in Christian history, edição publicada pela Fleming Η. Revell, um selo da Baker Book House Company
Imagem: Google

MITOLOGIA : O ULTIMO COMBATE



Na terra, a luta não havia terminado. Para se tornar definitivamente o soberano dos deuses e dos homens, Zeus ainda precisava combater um temível demônio, Tífon, que era o filho mais moço de Gaia. Quando esse ser monstruoso se aproximava, todo mundo fugia, e os próprios Deuses receavam enfrentá-lo. Sua força inesgotável, sua estatura descomunal e sua feiúra superavam as de todos os outros filhos de Gaia. Na extremidade de seus braços imensos, agitavam-se cabeças de dragão com língua preta. Cada uma delas soltava centelhas de fogo pelos olhos e gritos de animal selvagem.
Zeus as ouviu gemer, berrar e rugir uma após a outra. Preparou-se para a luta e empunhou suas armas. O choque foi terrível: a terra tremeu, o céu ficou em brasa, e o mar se ergueu num vagalhão fervente. Dentre os dentes dos dragões jorravam chamas que os relâmpagos de Zeus desviavam. De re- pente, juntando todas as suas forças, Zeus lançou um dardo1 poderoso, feito de seu raio, que inflamou de uma só vez as múltiplas cabeças de dragão. O monstro se consumiu num fogaréu gigantesco, queimando toda a vegetação em torno. Então, finalmente vitorioso, o senhor supremo do trovão o precipitou no fundo do Tártaro. Agora Zeus podia reinar. Voltou à sua morada no cume do monte Olimpo. Encoberto por nuvens espessas, o palácio do soberano dos céus ali se erguia, majestoso. Os deuses costumavam se encontrar no salão de mármore para alegres banquetes, em que se deleitavam com néctar e ambrosia. Eles gostavam das festas, e volta e meia suas risadas e cantos ressoavam no Olimpo. Sentado num trono de ouro e marfim, Zeus dominava os deuses e o mundo embaixo. Com seu raio, podia agitar o céu e, com um meneio da cabeça, sacudir a terra. Todos temiam seu poder, mas respeitavam sua justiça.
Essa vitória assinalou o início de uma nova era, em que nasceram os Mortais.2 Os da época de Crono eram diferentes.

Nota
1 Espécie de lança, que se atira com a mão ou com a ajuda de uma arma.

2 Os homens são chamados desse modo em oposição aos deuses, que são imortais.

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega / Claude Pouzadoux;ilustrações de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo: Companhia das Leiras, 2001
Imagem: Google

MITOLOGIA :O COMBATE DE ZEUS E A DIVISÃO DO MUNDO




O menino foi criado às escondidas numa gruta da ilha de Creta. Réia teve a idéia de confiar sua educação aos Curretes, demônios que tinham o costume de dançar batendo as armas umas contra as outras. De fato, Réia, preocupada em proteger o filho, contava com o barulho do bronze para encobrir o choro do bebê. Cercado pelas ninfas do lugar, o menino cresceu alimentado com o leite da cabra Amaltéia e com o mel que as abelhas do monte Ida forneciam. Essa infância secreta transcorreu harmoniosamente, sem que Crono descobrisse a existência de seu sexto filho. Já crescido, Zeus sonhava em destronar o pai, mas não conseguiria fazer isso sozinho. Teve então a idéia de lhe dar uma bebida que o obrigasse a vomitar os filhos que engolira. O efeito foi fulminante. Libertados seus irmãos, Zeus pôde se lançar com eles num duro combate contra Crono e os Titãs. Após dez anos de luta, a guerra ainda continuava. Gaia decidiu ajudar Zeus e seu grupo, revelando-lhe o conteúdo de uma velha profecia: "Você não poderá nunca vencer a exército de seu pai sem o auxílio dos Ciclopes e dos outros gigantes. Desça, pois, às profundezas do Tártaro, onde estão encerrados. Liberte-os, e eles lhe darão o trovão, o relâmpago e o raio!".
Zeus seguiu esse conselho e, com a ajuda dos Ciclopes, dos Cem-Braços e dos Gigantes, conseguiu derrotar o pai. Como tinha vencido graças a seus irmãos Hades e Posêidon, Zeus partilhou com eles o domínio do mundo.
O universo se dividia em três regiões: o céu estrelado e a terra eram a primeira; o oceano, que rodeava a terra, a segunda, e, por fim, vinham as partes subterrâneas. A sorte destinou a cada um seu reino. Zeus recebeu a parte luminosa e terrestre. Suas armas simbolizavam as forças celestes. Coube a Hades a parte subterrânea, para onde vão os mortos: foi reinar no Inferno,1 sobre o povo das Sombras. Posêidon, enfim, fixou seu poder sobre todos os elementos líquidos, os mares e os rios que percorrem a terra.


Nota

1 O Inferno representa o conjunto do mundo subterrâneo, e não apenas o lugar em que os condenados pagam por seus erros.

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega / Claude Pouzadoux;ilustrações de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo: Companhia das Leiras, 2001
Imagem: Google




MITOLOGIA: CRONO



Vencedor de seu pai Urano, Crono se tornou o senhor todo-poderoso do universo. Em vez de beneficiar seus parentes, libertando os irmãos, preferiu reinar sozinho e os deixou encerrados nas profundezas da terra. Sua mãe, furiosa, predisse seu fim: "Você também, filho meu, será deposto do trono por um dos seus filhos!"
Temendo a realização dessa profecia, Crono fez como o pai: arranjou um jeito de eliminar os filhos que lhe dava sua esposa Réia. Cada vez que nascia um, ele o devorava. Isso ocorreu com cinco recém-nascidos. A mãe deles, desesperada, foi ver Gaia:
"Querida avó, preciso da sua ajuda. Seu filho faz desaparecer todos os filhos que concebo. Um sexto acaba de nascer. E um menino. Ajude-me a salvá-lo!" "Você precisa ser mais astuciosa do que ele, minha filha", respondeu-lhe maliciosamente Gaia. "Enrole uma pedra numa coberta e entregue a Crono, no lugar do bebê. Ele nem vai desconfiar e vai engolir a pedra, como engoliu os outros filhos!" A profecia de Gaia não tardaria a se realizar: o bebê que elas acabavam de salvar era Zeus. O jovem deus logo tomou do pai o poder absoluto sobre o mundo...

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega / Claude Pouzadoux;ilustrações de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo: Companhia das Leiras, 2001
Imagem: Google

MITOLOGIA : OS DEUSES URANO E GAIA



Da união deles nasceram primeiro seis meninos e seis meninas, os Titãs e as Titânides, todos de natureza divina, como seus pais. Eles também tiveram filhos. Um deles, Hiperíon, uniu-se à sua irmã Téia, que pôs no mundo Hélio, o Sol, e Selene, a Lua, além de Eo, a Aurora. Outro, Jápeto, casou-se com Clímene, uma filha de Oceano. Ela lhe deu quatro filhos, entre eles Prometeu. O mais moço dos Titãs, Crono, logo, logo ia dar o que falar. 
A descendência de Urano e Gaia não parou nesses filhos. Conceberam ainda seres monstruosos como os Ciclopes, que só tinham um olho, bem redondo, no meio da testa, e os Cem-Braços, monstros gigantescos e violentos. Os coitados viviam no Tártaro, uma região escondida nas profundezas da terra. Nenhum deles podia ver a luz do dia, porque seu pai os proibia de sair. Gaia, a mãe, quis libertá-los. Ela apelou para seus primeiros filhos, os Titãs, mas todos se recusaram a ajudá-la, exceto Crono. Os dois arquitetaram juntos um plano que deveria acabar com o poder tirânico de Urano. Certa noite, guiado pela mãe, Crono entrou no quarto dos pais. Estava muito escuro lá, mas o luar lhe permitiu ver seu pai, que roncava tranqüilo. Com um golpe de foice, cortou-lhe os testículos. Urano, mutilado, berrou de raiva, enquanto Gaia dava gritos de alegria. Esse atentado punha fim a uma autoridade que ela estava cansada de suportar, e a inútil descendência deles parava aí — ou quase... Algumas gotas de sangue da ferida de Urano caíram na terra e a fecundaram, dando origem a demônios, as Erínias,1 a outros monstros, os Gigantes, e às ninfas,2 as Melíades. 1 


Nota
1 Divindades infernais. Com seu corpo alado, sua cabeleira de serpentes e munidas de tochas e chicotes, atormentam suas vítimas, levando-as à loucura. 
2 Deusas que vivem nos bosques, nas montanhas, nos rios, no mar. 

Fonte: Contos e lendas da mitologia grega / Claude Pouzadoux;ilustrações de Frédérick Mansot; tradução de Eduardo Brandão. — São Paulo: Companhia das Leiras, 2001
Imagem: Google